Mais uma vez o Papa João Paulo II. Agora num texto dum “vencido do catolicismo”, João Bénard da Costa, que merece o nosso Sinal +.
“‘Houve homens grandes pela sua energia, sua sabedoria, sua esperança ou seu amor’. Mas há os homens grandes pela energia, cuja força provém da fraqueza, grandes pela sabedoria cuja forma está para além do conhecimento, grandes pelo amor que vão para além do amor que a nós próprios temos. João Paulo II é um desses homens. Ninguém mais fraco — a cada momento julgamo-lo chegado ao limite das suas forças — e dessa fraqueza irradia uma força como jamais me lembro de ter pressentido. Ninguém mais longe do que a ideia de sábio pode convocar e ninguém tão perto dessa ‘loucura da Cruz’ de que falam os místicos. Ninguém mais longe da imagem que, por exemplo, guardamos do ‘bom Papa João’, mas ninguém que a cada momento nos faça sentir que tudo o que faz o faz por amor até à imolação de todos os seus poderes, faculdades ou dons, até a imolação da sua própria função papal.
A Igreja, e muitos dos que estão nas margens dela, celebraram agora o Jubileu deste Papa. Em cada uma das suas aparições públicas, eu vi o Homem das Dores ou o Homem da Fé. Muitos serão recordados por muitas outras obras ou palavras ou feitos. João Paulo II será recordado pela Fé.”
In PÚBLICO de 31 de Outubro
