Somos dos que têm a noção de que Portugal é um País pobre. Sempre o foi, apesar dos negócios dos descobrimentos que deram fortuna a alguns. Não é por acaso, por isso, que estamos na cauda da UE, não obstante os muitos apoios que temos recebido e que não soubemos aproveitar convenientemente, criando riqueza que chegasse a todos e não apenas a uns tantos que foram enchendo os bolsos à custa da incapacidade governativa para fiscalizar com rigor os milhões de contos que entraram em Portugal.
Ninguém ignora que, por todos os cantos, há portugueses que vivem no limiar da pobreza. Em casebres sem condições mínimas, perdidos na solidão de uma sociedade cheia de contrastes, muitos dos nossos concidadãos sobrevivem à custa de pensões baixíssimas e do amanho de hortas que não pagam decentemente a despesa. E o Estado sem dinheiro em caixa para os socorrer.
Os últimos aumentos para os pensionistas correspondem a um grande esforço do Governo, que ninguém de bom senso ignora, e traduzem, por paradoxal que pareça, uma ofensa grave de uma sociedade injusta, onde campeiam riquezas que ninguém sabe de onde vieram.
As empresas, na sua maioria, continuam sem pagar impostos, a fuga ao fisco é escândalo imperdoável, os ordenados astronómicos são ofensas à dignidade humana, a ostentação de grandes lucros é marca de injustiças evidentes. E a pergunta, para todos reflectirmos, é esta: como é possível alguém sobreviver com pensões tão miseráveis?
F.M.
