D. António Marcelino – Bispo de Aveiro há 16 anos

“SOLTEI AS VELAS, LARGUEI AS AMARRAS E DEIXEI QUE O MEU BARCO SE FIZESSE À RIA E AO MAR, DISPOSTO A TUDO”

No dia 20 de Janeiro de 1988, oito anos depois da sua chegada a terras de Aveiro, a Diocese acolhia o seu novo Bispo: D. António Baltasar Marcelino. Nascido na Lousa, Castelo Branco, e ordenado presbítero em 9 de Junho de 1955, D. António Marcelino tem feito um percurso longo de entrega e de serviço à causa do Evangelho. Disto, todos nós aveirenses temos recebido benefício.

Muitas são as obras realizadas ao longo destes 16 anos de serviço à Igreja de Aveiro. Citá-las todas seria pretensão que estas linhas não podem comportar. Porém, vale a pena recordar alguns acontecimentos que marcaram novo ritmo à vida desta Igreja salgada pelas marinhas de sal e amadurecida pelo toque forte dos ventos e do sol.

1. Bispo do Diálogo Pastoral. Logo nos primórdios da tomada de posse como Bispo de Aveiro, D. António Marcelino revelou a sua preocupação por abrir a consciência da Igreja que pastoreava à comunhão, ao diálogo e à participação de todos, presbíteros e restante povo de Deus. O primeiro passo para este diálogo foi, sem dúvida, o Congresso dos Leigos (1988), sob o lema Sal da Terra e Luz do Mundo. Durante um ano, a reflexão voltou-se para o papel dos leigos na vida da Igreja e no mundo, uma reflexão que ajudou a desfragmentar uma pastoral ultrapassada pelos desafios conciliares e que a Igreja diocesana teimava em não largar. O resultado desta reflexão, animado pelo impulso renovador do novo Bispo, abriu as portas ao II Sínodo Diocesano de Aveiro (1990-1995), o Sínodo da Renovação, sob o lema Unidos na Comunhão, Comprometidos na Missão, que veio reforçar o espírito de Comunhão e Missão que a Igreja começava a saborear e que queria assumir com carácter decisivo.

2. Bispo da Comunhão Ministerial. D. António foi o Bispo que ordenou os primeiros Diáconos Permanentes da Diocese. O papel do Diaconado Permanente na acção pastoral da nossa Diocese revela hoje a importância de um passo ousado que o bispo deu, numa Igreja demasiado clerical e pouco aberta à diversidade ministerial. É mérito do nosso bispo a sua insistência e resistência para enfrentar as adversidades e saber condimentar os pareceres, levando todos ao acolhimento dos dons que Deus tinha reservado para este povo e que ele, homem de “faro” pastoral, tem sabido acolher e transmitir ao resto dos irmãos.

3. Bispo com os Jovens e para os Jovens. São inúmeros os escritos onde o D. António Marcelino manifesta a sua preocupação pelos jovens da Diocese. Os jovens têm encontrado no nosso Bispo uma porta sempre aberta às suas inquietações sociais e eclesiais e, ao mesmo tempo, reconhecem nele uma voz incómoda que abala o comodismo e provoca a inquietação pelo Ideal, nos seus corações juvenis. A publicação da Carta sobre a Pastoral da Confirmação, as incontáveis visitas aos grupos de crismandos e agora a Caminhada Juvenil em Dinâmica Sinodal têm sido desta preocupação uma prova evidente.

4. Bispo da Comunidade e da Universalidade. Em muitas das intervenções que proclama, D. António tem manifestado a sua preocupação pela abertura pastoral dentro das comunidades, integrando a diversidade de pareceres e a conjugação de esforços por parte de todos os baptizados. Temente da “paroquialite”, o seu apelo veemente passa pela abertura das comunidades a outras comunidades, pelo reforçar da comunhão arciprestal, pela integração de todos nos planos diocesanos e pela universalidade do compromisso, na partilha de bens e de pessoas com a expressão missionária da Igreja Universal.

Termino este simples “apanhado” de ideias felicitando o nosso Bispo por este 16º aniversário e reforçando o que todos nós já sabemos, e que se resume em dizer que a Igreja de Aveiro tem a graça de ter como Pastor um homem incansável, inteligente e generoso na sua entrega à causa do Evangelho de Jesus Cristo. Hoje ele celebra este aniversário em casa, porque sofre na pele as consequências do seu muito fazer e do cansaço próprio de quem não pára de sonhar, nem de trabalhar para concretizar esse sonho que, afinal de contas, mostra claramente um homem “disposto a tudo”, para fazer seu o sonho de Deus.