Partido dos grandes meios de comunicação social (2)

Questões Sociais 1. A sobranceria contestatária e niilista é, porventura, a característica fundamentel dos Grandes Meios de Comunicação Social (GMCS), enquanto partido político informal e difuso. Na vertente sobranceira, os GMCS consideram-se os grandes detentores da verdade, assumem-se como pilar indiscutível da liberdade e julgam inquisitorialmente os titulares de órgãos de soberania, os políticos em geral e quaisquer outras entidades, sem qualquer respeito pelas pessoas em causa e suas famílias.

Facilmente difundem meias verdades como se fossem “a verdade”, deturpam factos e declarações, e chegam até à propagação da mentira grosseira. Estas não verdades servem de pretexto para comentários diversos, como se correspondessem à realidade, numa exibição confrangedora de narcisismos individuais e colectivos.

Um dos sinais de sobranceria dos GMCS consiste nas classificações periódicas de políticos e de outras entidades, distiguindo os “altos” e os “baixos”, os “mais” e os “menos”, ou recorrendo a qualquer outro tipo de classificação. Nesta forma de julgamento, os GMCS denotam um grave desconhecimento da vida de quem governa e das demais entidades classificadas, e denotam escalas de valores mais discutíveis.

2. A postura sobranceira do partido dos GMCS é eminentemente contestatária e niilista. Contesta o Governo, os outros órgãos de soberania e os políticos em geral, com argumentos de esquerda, de direita, de centro ou, alegadamente, apartidários. Denuncia o atraso do país e dos portugueses, em quase todos os aspectos. Contesta o sistema económico e social por ser neoliberal, capitalista, e também por não se abrir suficientemente às exigências do mercado e da modernidade. Contesta, no quadro do sistema dominante, o império capitalista americano e a administração Bush, a tal ponto que coloca esta em pé de igualdade com o terrorismo e a considera responsável por ele.

A contestação acha-se de tal modo enraizada que são considerados favoráveis ao governo português e à administração Bush os meios de comunicação social e os comentadores que procuram ser mais isentos, mais fundamentados e menos sectários…

A contestação sistemática nos GMCS desagua, naturalmente, no niilismo. Ela cria o vazio de bondade e de soluções tidas por aceitáveis. Sente-se no direito de não fazer propostas e de não assumir responsabilidades sociais. Alimenta a utopia irresponsável das alternativas perfeitas — de “lá fora” ou, talvez de “outro mundo” — sem se comprometer com nenhuma, de maneira consistente.

O partido dos GMCS, aliado à intelectualidade dominante, procede como se a crítica sistemática, mesmo contraditória, o julgamento sumário, a ironia e o humor banais e repetitivos, fossem o seu grande contributo para as mudanças necessárias e para um futuro melhor. Bem se lhes aplica a observação feita na parte final do nº 46 da encíclica de João Paulo II “Fé e Razão” (1998), precisamente sobre o niilismo nos nossos dias…