Educar… hoje Erradamente, considera-se a população escolar inapta para a leitura, rótulo com que se caracteriza grande percentagem dos portugueses.* De facto, apesar de por vezes os alunos manifestarem não gostar de ler, verifica-se que muitos dedicam algum tempo à leitura. Na Escola, seja em Língua Portuguesa, seja nas Línguas Estrangeiras, distingue-se Leitura Metódica e Obrigatória de Leitura Recreativa (LR). As duas primeiras dizem respeito a um tra-balho sistemático de interpretação de textos, a última prende-se com o conceito de não obrigatoriedade e prazer de ler. Embora nem sempre seja fácil, a maior parte dos alunos adere à LR, sobretudo porque lêem aquilo que eles próprios escolhem. E têm razão, porque a literatura infanto-juvenil portuguesa apresenta particularidades muito interes-santes.
A nível da selecção das obras, é curioso verificar que as que abordam temas relacionados com as Drogas são as eleitas pelos adolescentes. Depois, vêm aquelas que analisam, através da narração de histórias verosímeis, problemas como a sexualidade e as relações familiares, manifestando assim algumas das suas maiores preocupações. A leitura destas obras promove o debate entre alunos / alunos e professores, numa atitude profícua, condição sine qua non para um amadurecimento e crescimento salutar dos adolescentes que se confrontam com situações complicadas do mundo dos adultos que, gradualmente, começa a ser o deles.
De uma maneira geral, local aprazível e muito procurado pelos alunos, as Bibliotecas das Escolas são lugares de acesso a obras e autores de renome, que fazem parte do nosso património cultural e da nossa identidade como povo; também é aí que se acede a uma informação complementar, quer através de obras de referência nacional e internacional, quer através das novas tecnologias de informação e comunicação, como é o caso da Internet. Se algumas Escolas estão apetrechadas com todos estes materiais, é certo que inúmeras têm apenas um computador, ou faltam-lhes textos referenciais de autores portugueses. Ao dar uma vista de olhos nas listas de obras do Ministério da Educação para os Programas de Língua Portuguesa e de Português, constatamos que muitas das hipóteses apresentadas para LR não figuram nas prate-leiras das Bibliotecas Escolares. Há, no entanto, que sublinhar o investimento que se faz, tanto em termos humanos, como económicos, para a aquisição / oferta de obras de referência.
Em Portugal, graças à Rede de Bibliotecas Escolares – http://www.dapp.min-edu.pt/rbe/index.htm, há várias iniciativas de formação para técnicos e professores, bem como o apetrechamento das Bibliotecas das Escolas Portuguesas.
O Dia Internacional da Biblioteca Escolar comemora-se no próximo 25 de Outubro e bom seria que se investisse cada vez mais em actividades que fomentem, nas crianças e nos jovens, hábitos de leitura, que serão o fermento de gerações mais cultas e mais intervenientes.
*A este propósito, consulte-se o site da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros – http://www. apel.pt, para uma visão mais correcta sobre os Hábitos de Leitura dos Portugueses.
