Olho de Lince

Era uma normal reunião de responsáveis do Movimento. A revisão do ano terminado, a programação do novo ano, a distribuição de responsabilidades… E deram consigo a perguntar-se a razão do abandono, sem explicações de alguns dos escuteiros.

A “revisão de vida – dizia há dias um assistente da Acção Católica – é património da humanidade, porque não há programação e realização consistentes, que não passem pela observação da realidade, pela reflexão em busca de soluções, pela programação e pela revisão posterior.” Foi o que ali aconteceu!

Foram surgindo as intervenções. Algumas merecem referência. Estamos num clima de vida profundamente vincado pela instabilidade. Desde os primeiros dias em que vê a luz do mundo que o ser humano, agora, é objecto de mobilidade constante, com acentuado agravamento na altura da deslocação para frequentar estudos superiores, para iniciar carreira profissional…, muitas vezes com “a casa às costas” durante anos e anos a fio, não raro com sucessivas mudanças de actividade…

Hoje o território de residência já não é, as mais das vezes, referência de pertença. Repartem-se as referências pelos grupos de actividades sucessivas, quase nunca coincidentes. E tudo isto fragiliza uma sensibilidade de pertença, dilui uma consciência de compromisso, de relações estáveis com uns certos. Acresce que uma atmosfera de facilidade e hedonismo não convida a investir energias, a fazer esforços, para construir teias sólidas de intercâmbio, de interajuda.

Mas este Movimento – o CNE -, como outros, tem de se interrogar sobre novos caminhos, sobre novos rumos, para envolver as famílias e os escuteiros, para envolver a Comunidade. Até porque, se há metodologias adequadas para consolidar tecido de relações humanas, a do Escutismo está em vantagem, dado que um dos pilares da sua pedagogia é, sem dúvida, o trabalho de grupo, e de grupos concêntricos, desde o bando á patrulha, desde a alcateia ao grupo…

Q.S.