XXXII Domingo Comum – Ano C

À Luz da Palavra A liturgia deste Domingo coloca-nos diante do último horizonte do ser humano e convida-nos a uma reflexão sobre ele, assegurando-nos que a vida não acaba com a morte, apenas se transforma. Na primeira leitura, “sete irmãos”, fiéis ao Deus de Israel, preferem ser torturados e mortos sob a autoridade do rei da Síria, que infringir as suas leis religiosas. Os irmãos confessaram a sua fé na ressurreição, de vários modos. Todos, porém, afirmaram que a vida presente é efémera e que “vale a pena morrer às mãos dos homens, porque têm esperança em Deus de que Ele os ressuscitará para a vida eterna”, para a vida sem fim. Estes sete irmãos foram “persistentes” no testemunho dos valores em que acreditavam. E eu, sou capaz de lutar, ainda que contra a corrente, pelos valores que hauro na minha fé em Jesus Cristo?

Na terceira leitura, Lucas relata-nos o facto de alguns saduceus se terem aproxima-do de Jesus, a fim de o interrogarem sobre a vida futura. Se morrer um homem sem deixar descendentes, o seu irmão deve casar com a viúva e, assim, sucessivamente, até que obtenham descendentes, sendo estes legalmente filhos do primeiro marido. Ora, perguntavam os saduceus a Jesus, “havia sete irmãos” a quem isto sucedeu. “De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?”. Sabemos que a obrigação de uma viúva casar sucessivamente com os irmãos do primeiro marido até obterem descendência, decorria de uma lei de Moisés, chamada Lei do Levirato. Sabemos, igualmente, que o grupo dos saduceus não acreditava na ressurreição dos mortos, o que não acontecia com outros grupos, em Israel, no tempo de Jesus. De facto, é uma cilada que lhe lançam. Jesus, porém, aproveita a ocasião para nos transmitir um ensinamento da máxima importância para a nossa vida humana e cristã: “Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento… Porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus”. Não sabemos a forma como isto acontece, é um mistério que não nos foi revelado, mas a ressurreição é uma certeza absoluta no horizonte dos que crêem. É esta certeza que, pela esperança, dá sentido à nossa existência cristã, a qual há-de ser uma caminhada tranquila, alegre, confiante, em direcção a esta nova realidade. Vivo eu a utopia da vida plena, na paz e na confiança? Vivo, de facto, em estado de pessoa ressuscitada?

Na segunda leitura, Paulo convida-nos a permanecer no diálogo e na comunhão íntima com Deus, enquanto aguardamos a segunda vinda de Cristo e a vida nova que Deus nos reserva. A capacidade de vivermos na fidelidade ao Evangelho vem-nos, indubitavelmente, da força da oração e da fidelidade de Deus para connosco. Tenho eu consciência disto, ou creio que as mi-nhas vitórias e conquistas se devem aos meus méritos e aptidões? “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”, confessamos semanalmente no Credo. Esta fé conduz-nos à prática da caridade e das boas obras e, sobretudo, a uma imensa confiança em Deus que nos criou para a vida sem fim, para a vida feliz, nele.

XXXII Domingo

Mac 7,1-2.9-14; Sl 17(16); 2 Ts 2,16-3,5; Lc 20,27-38