Começo educativo e deseducativo no ano escolar

Questões Sociais 1. O começo do ano escolar foi profundamente educativo em muitas escolas e na actividade de muitos profissionais da educação, bem como na de alguns funcionários do Ministério da Educação e de alguns políticos. Inúmeros pais e outros educadores, crianças e jovens, associações diversas e outras entidades foram extraordinários na maneira como tentaram compensar os erros do Ministério na colocação de professores. Foram igualmente dignos de todo o apreço na maneira como reflectiram sobre o erro e como assumiram que “errar é humano” e que todos nós devemos evitar o erro, sem dúvida, tanto quanto possível. Mas devemos também aprender a aprender a partir do erro. Este faz parte da vida e da aprendizagem. A própria investigação consiste, em parte, na identificação e na superação de erros. Não se trata de sermos acríticos e irresponsáveis perante o erro; trata-se, pelo contrário, de o asumirmos como tal, procurar superá-lo e fazer tudo o que é possível para o evitar no futuro.

2. Todo o esforço invulgar realizado por tanta gente no início do ano ficou escondido no anonimatoe não interessou aos grandes meios de comunicação social.

Foi deseducativa a imagem transmitida acerca do início lectivo porque omitiu uma parte significativa da realidade e porque funcionou, quase propagandisticamente, contra supostos culpados e, ainda, porque ignorou a pedagogia do erro.

Mais gravemente deseducativa foi a actuação de muitos responsáveis técnicos e políticos — do Governo, da maneira parlamentar e das oposições. Essa actuação, da parte do Governo e da maioria parlamentar, consistiu não só nos erros que poderiam ter sido evitados, mas também na falta de informação adequada, na criação de expectativas e na marcação de datas de início de aulas, sem fundamento.

A actuação deseducativa das oposições consistiu na intransigência perante o erro e na procura obsessiva, inquisitorial, de culpas e de culpados. A actuação educativa consistiria na análise da realidade, na identificação de causas e — só depois — no apuramento de responsabilidades e de eventuais culpados.

3. Três perguntas, entre outras, ficam a aguardar resposta: justificar-se-á manter o processo de colocação de professores de maneira tão centralizada? Será tecnicamente possível evitar erros graves no futuro? Será realmente possível e defensável controlar um processo desta natureza?