Direitos Humanos Como sabemos, o nosso planeta está em agonia. Não é necessário procurar muito para encontrar, todos os dias, referências ao desequilíbrio ecológico em toda a comunicação social.
A escassez dos recursos hídricos, o sobreaquecimento do planeta, a desmatação das florestas tropicais, a extinção diária de várias espécies de seres vivos… tudo sucede porque os países industrializados prosseguem com padrões de produção e de consumo económicos que, acelerados pela globalização neoliberal, inviabilizam um desenvolvimento harmónico e sustentável do nosso planeta. Em 1992, a Cimeira da Terra, realizada no Rio de Janeiro, dia-gnosticou claramente os efeitos perversos da industrialização desenfreada sobre o meio ambiente. Dez anos depois, na África do Sul, a Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável voltou a colocar o dedo na ferida. Mas o que fazer quando o patriarca do sistema capitalista, maior poluidor do planeta, – os Estados Unidos – aumentou, nos últimos 14 anos, em mais de 20% as suas emissões de gás carbónico (principal causa de sobreaquecimento do planeta)?
Não precisamos ir tão longe, pois no nosso quotidiano bem próximo estamos circundados por pequenas (grandes) catástrofes ambientais. Poderemos falar na poluição das nossas linhas de água, na “infestação” do solo através de agro-químicos, nos incêndios e na devastação nas nossas florestas…
Por todos estes desmandos ambientais somos responsáveis não só quando os cometemos mas, também, quando com eles compactuamos ao fecharmos os olhos a essas realidades gritantes. Veja-se o caso da região gandaresa – que engloba o sul do concelho de Vagos, todo o concelho de Mira e o litoral do concelho de Cantanhede – diariamente espoliada de uma das suas maiores riquezas naturais: as dunas de areia, verdadeiras defesas ecológicas contra o avanço do mar e dos ventos salgados, mas que estão hoje à mercê dos (mais que obscuros) interesses madeireiros e das empresas de construção. Mas ninguém “vê nada” e por isso nada se faz. Até porque as grandes consequências não as sofreremos nós mas sim as gerações que se nos seguirão!
Decididamente, falta-nos um lado feminino na nossa atitude face à questão ecológica. Algo que nos faça olhar para a Terra como um Todo, que necessita da nossa compreensão, do nosso carinho e, sobretudo da nossa protecção. A isto se referia a escritora francesa Françoise d’Eaubonne quando utilizou o termo “eco-feminismo” pela primeira vez, procurando demonstrar as capacidades intrínsecas que as mulheres têm na defesa do equilíbrio ambiental.
A recente atribuição do Prémio Nobel da Paz à queniana Wangari Maathai, lutadora ambientalista africana a favor do respeito pela natureza e pelo equilíbrio ecológico, prova que o género feminino tem uma “sensibilidade extra” para tratar as questões ambientes e que esta mais valia terá que servir de incentivo suplementar à defesa de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.
O eco-feminismo em que se insere Wangari Maathai para nós, cristãos, é profundamente teológico. Mulher e Terra geram nova vida, e a Criação – um todo indissociável composto por plantas, animais, campos, rios… (Cf. Gen. 1, 27-20) – necessita, mais do que nunca, do instinto maternal de protecção da vida. Torna-se, por isso, imperativa a mobilização geral em favor dos valores”eco-feministas” da igualdade e do respeito entre homens e mulheres, entre os seres vivos e a natureza, pois só assim conseguiremos defender efectivamente a “integridade da criação”.
