Educar… hoje O 1º Encontro Nacional sobre Oficinas de Escrita no Ensino de Línguas, na Universidade de Aveiro, a 28 e 29 de Outubro, deu a conhecer algumas das experiências inovadoras que se fazem no âmbito da Escrita, em Portugal e no Estrangeiro. Esse foi, aliás, o objectivo do Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa ao programar tal evento. De facto, e porque, de há alguns anos a esta parte, se debate a importância da implementação de Oficinas de Escrita (OFES), decidiu aquele Departamento reunir especialistas do país e do estrangeiro, para apresentar experiências e trocar impressões, numa iniciativa muito concorrida.
Oficina de Escrita*
Na Escola, a Escrita passou, também, a figurar como um trabalho oficinal, lembrando um pouco as aulas de Química, Biologia, Matemática e TIC. No entanto, como se trata de algo recente – assumido nos Novos Programas de Língua Portuguesa do Ensino Secundário e por algumas Escolas que propõem OFES, no leque das disciplinas que oferecem aos alunos no Ensino Básico – há ainda grande resistência por parte dos intervenientes. Logo em primeiro lugar, o Ministério da Educação e as suas normas diferenciadas para desdobramento das turmas nas disciplinas de carácter oficinal; depois, os professores e os próprios alunos, que vão fazendo progressos lentos na aprendizagem deste novo tipo de ensino da Escrita.
O Rascunho
Um dos aspectos mais interessantes associado à OFES é a necessidade de trabalhar o Rascunho, como um documento indispensável à progressão e à tomada de consciência da evolução do texto escrito.
No entanto, quando se propõe um trabalho de reescrita, a resistência é grande, porque o aluno:
1º – Não relê o que escreve, nem reflecte sobre o que escreve;
2º – Não distingue com facilidade que o estilo da oralidade é diferente do da escrita, sobretudo em determinadas circunstâncias;
3º – Não gosta de riscar e quer apagar constantemente. A este propósito, relembro as interpelações dos meus alunos, quando escrevo com eles e peço sugestões para enriquecer o texto: “Não se engane!” chegam mesmo a pedir-me, porque não gostam de riscar o caderno ou de apagar. Consideram, afinal, que reescrever não é melhorar o texto, mas é assumir que errámos. Nestas alturas, refiro os grandes escritores, que nos deixam sempre admirados com tantas correcções e acertos, como é o caso de Pessoa.
Reflexão, Autonomia e Solidariedade
São inúmeras as práticas que promovem a autonomia e reflexão do aluno (ou do formando, uma vez que também há OFES promovidas pelas Autarquias, especialmente nas Bibliotecas Municipais), nomeadamente as de imitação de textos de autores consagrados e a correcção do erro.
Os resultados são sempre positivos, quando o aluno é orientado na descoberta e na correcção das suas lacunas. Temos, pois, a aprendizagem centrada no aluno, que desenvolve a sua responsabilidade, a autonomia e a solidariedade, trabalhando sozinho ou em pares. Se trabalhar os seus rascunhos, dará conta da sua própria evolução e descobrirá que afinal não é tão difícil escrever como lhe parecia. É o saber de experiências feito, como diria Camões.
*Designação emprestada do francês Atelier d’écriture. Um dos princípios subjacente às OFES é orientar o aluno para que desenvolva uma reflexão sobre a sua própria escrita.
