Notas litúrgicas 11. A realização litúrgica desta presidência eucarística
O modo concreto de organizar uma celebração eucarística deve ser expressivo daquela compreensão teológica, de que falávamos na semana passada. No nosso caso, os sinais exteriores devem recordar ao próprio sacerdote e a toda a assembleia qual é a identidade que ele tem face à comunidade celebrante.
Nem todos os ministérios, que ajudam uma comunidade a celebrar, pertencem ao presidente. Para o canto, ou para as intenções das orações litânicas, ou algumas das monições, ou leituras, é muito mais coerente com a imagem da comunidade eclesial que haja outros ministros diferentes do presidente. Não só por motivos de pedagogia, mas de imagem teológica da comunidade. Ele, como presidente e sinal sacramental de Cristo, será como um laço de união, ponto de referência e factor de comunhão.
As actuações propriamente presidenciais, aquelas nas quais ele actua em nome de Cristo e da comunidade, elevando a Deus a sua oração em nome do povo santo, ou realizando para ele os gestos sacramentais, são as que um presidente mais deve cuidar.
Antes de mais, a Oração Eucarística, a oração central da Eucaristia, na qual o sacerdote louva a Deus, faz memória das suas actuações salvíficas, invoca o Espírito para que torne eficazes as palavras e os sinais sacramentais, e actua em nome de Cristo na sua auto-doacção.
O sacerdote dirige também outras orações a Deus, num sentido que se pode chamar ascendente: a oração colecta do dia, a conclusão da oração universal, a oração sobre as oferendas e a do pós-comunhão.
O sacerdote tem também, num sentido descendente, funções estritamente presidenciais. Sobretudo na homilia, o serviço de explicar aos seus irmãos a mensagem da Palavra de Deus e aplicá-lo à vida concreta dos presentes. É um serviço ministerial que “habitualmente deve ser feito pelo sacerdote celebrante” (IGMR 66 e OLM 24). Aqui, o presidente personifica Cristo como Mestre que aproxima a mensagem salvadora de Deus dos seus irmãos, e sublinha a unidade das duas partes da celebração, a Palavra e a Eucaristia propriamente dita.
Outros momentos significativos em que o presidente actua são: a saudação inicial, com a qual “manifesta à assembleia reunida a presença do Senhor”. Com esta saudação e a resposta do povo, manifesta-se o mistèrio da Igreja reunida” (IGMR 50); e a bênção final, que o presidente da assembleia dá em nome de Cristo, antes da despedida, para sublinhar os frutos de ânimo e de compromisso que cada Eucaristia deve ter na vida de todos. Também a distribuição do Corpo e Sangue de Cristo, na comunhão, é um dos ministérios mais coerentes do presidente, embora desde há anos a Igreja tenha alargado este ministério, em determinadas circunstâncias, aos leigos.
O ministério da presidência explica-se também, na pedagogia litúrgica, com uns sinais concretos.
Assim, a cadeira presidencial, o lugar a partir do qual preside a toda a primeira parte da Eucaristia, tem a sua importância e as suas exigências simbólicas (cf. IGMR 310). A partir desta sede, o presidente sauda a assembleia, dirige a Deus a oração colecta, escuta as leituras, diz a homilia, inicia e conclui a oração universal. Esta sede deve ser um lugar destacado, para exprimir melhor a presença do Senhor, e para que a comunidade possa ver e sintonizar melhor com o que faz as vezes de Cristo. Por isso, a cadeira é única, superando o antigo costume dos três assentos (para o sacerdote, diácono e subdiácono); é uma cadeira que se situa de frente para o povo (cf. IGMR 310), não demasiado afastada da assembleia, o que tornaria difícil a comunicação com ela, por exemplo, no momento da homilia, que o Missal supõe que se faz a partir da sede presidencial.
O outro lugar presidencial é o altar, a partir do qual o sacerdote preside à segunda parte da celebração. O altar é, ao mesmo tempo, “ara sacrificial” onde se celebra sacramentalmente o memorial da entrega de Cristo na Cruz, e “mesa do Senhor” (cf. I Cor 10, 21) para a qual é convidado o povo de Deus. É o centro para onde converge a atenção da comunidade e o lugar a partir do qual o sacerdote preside, elevando a Deus a Oração Eucarística, invocando o Espírito, realizando o memorial do sacrifício de Cristo, partindo o Pão e convidando os fiéis a participar da comunhão com Cristo.
Outro sinal exterior da presidência eucarística é o uso dos paramentos litúrgicos. Eis a sua finalidade: “a diversidade de funções na celebração da Eucaristia é significada externamente pela diversidade das vestes sagradas, as quais, por isso, são sinal distinto da função própria de cada ministro. Convém, entretanto, que tais vestes contribuam também para o decoro da acção sagrada” (IGMR 335). Continua a ser válida a linguagem pedagógica da veste especial, como sucede, igualmente, na vida social. Estas vestes são uma recordação para todos e para o próprio ministro de que o que se celebra é algo sagrado, e que o ministro não actua em nome e por iniciativa própria, mas como ministro posto pela Igreja para servir a comunidade na sua acção sacramental.
SDPL
