A Eucaristia no meu coração Se me pedissem para escolher um nome novo para o Sacramento da Eucaristia eu chamar-lhe-ia Sacramento da Intimidade.
Há dois mil anos, quando preparou a sua última ceia, Jesus escolheu só doze convidados. Penso que não será muito forçado consideramos que se tratou de um “jantar íntimo”.
Não se tratou de uma reunião dos “amigos ideais”. Sabemos que, logo de seguida, um vendeu-O barato, outro fez-de-conta que não O conhecia e os outros sumiram todos. Mas eram aqueles com quem Jesus mais tinha convivido nos últimos anos, por conseguinte aqueles com quem possuía maior intimidade, aqueles que ainda não O conheciam verdadeiramente mas que pelo menos iam tentando. Foi a esses que Ele lavou os pés e foi a esses que confiou a comemoração daquela “noite derradeira”.
Por isso é que eu acredito que a Comunhão não é só para “super-santos” nem para aqueles que se confessaram poucos minutos antes. Acredito que Jesus oferece o seu Corpo e o seu Sangue a todo o pecador que deseja conhecê-Lo em intimidade e assumir tudo o que isso implica na sua própria vida.
A Eucaristia é o mais sensível de todos os Sacramentos. Apoia-se em alimentos comuns ao quotidiano de quase toda a humanidade e é por intermédio desses alimentos que Jesus penetra em nós da forma mais íntima, fazendo-nos companheiros d’Ele e de todos os outros comungantes.
Ao aproximar-me da mesa da comunhão procuro ter sempre presente que estou a sentar-me à mesa com milhões de Cristãos de todo mundo que, como eu, reconhecem Jesus Cristo naquele pedacito de Pão e, comungando, assumo um compromisso de estar em comunhão com a Igreja e a colaborar na sua missão.
O Sacramento da Eucaristia aprofunda a intimidade entre cada comungante e Jesus Cristo, compromete os cristãos a aprofundarem a intimidade entre si e compromete a Igreja aprofundar a intimidade com a humanidade.
Sinto a honra de ser escolhido para aquele pequeno “jantar íntimo” e a responsabilidade do discípulo que tem em si a vida do Mestre. A comunhão aproxima-me de Cristo, faz-me sentir membro de uma família e obriga-me a olhar em volta, analisar os meus relacionamentos com os próximos e com o mundo.
E, fazendo balanço, penso que ainda não O conheço como Ele gostaria que eu conhecesse, mas Ele sabe que continuo à procura.
Pedro Ferreira
