Questões Sociais 1. Todo o mundo foi abalado pela grave catástrofe que afectou directamente os países do Sudeste Asiático e alguns de África. Tornou-se patente, a nossos olhos, o peso da contingência humana e como estamos longe de dominar as forças da natureza.
É elevadíssimo o número de mortos. Muito mais elevado é o número de pessoas que ficaram com as suas condições de vida totalmente desfeitas. Neste conjunto, sobressaem as crianças órfãs ou desaparecidas e outras pessoas na situação de fragilidade extrema.
2. A maioria dos povos reagiu, com uma solidariedade invulgar, às consequências do maremoto, e difundiram-se por toda a parte os movimentos de ajuda. Para tão expressivas manifestações, contribuíram não só a gravidade extrema do evento, mas também o sentimento de proximidade gerado pelos meios de comunicação e pelo facto de terem sido atingidos cidadãos de países muito distantes da zona atingida, incluindo cidadãos portugueses.
Infelizmente, o mundo não estava preparado para a prestação imediata da ajuda necessária. Muito há a fazer, ainda, através da Organização das Nações Unidas e de outras instâncias internacionais, para que, no futuro, sejam mais eficazes a prevenção destes cataclismos e a ajuda de emergência.
3. Para além da ajuda de emergência mais imediata, seguir-se-ão duas outras fases, em relação às zonas atingidas pelo maremoto: a de atenuação das consequências, em termos de doença e de carências extremas; e a de reconstrução. Tais ajudas serão coordenadas pela Organização das Nações Unidas, com a participação do maior número possível de países e das respectivas instituições públicas e particulares.
É altamente desejável (embora muito difícil) que se venha a transformar a catástrofe numa oportunidade para o futuro. Particularmente, uma oportunidade para que o desenvolvimento seja mais humano, justo e solidário. E também oportunidade para que a humanização do desen-volvimento ocorra não só nos países vitimados pela catástrofe, mas também nos restantes, de maneira generalizada.
Deste modo, o apoio a prestar àqueles países articular-se-ia estreitamente com o desenvolvimento humano em todo o mundo.
