Padres estudam homilia, arte sacra e relações Igreja-mundo

Formação permanente do clero Como estava anunciada e programada, nos dias 18 e 19 do corrente mês, no Clube Stella Maris (Gafanha da Nazaré), decorreu mais uma fase da formação permanente do clero.

No primeiro dia, foram explanados dois temas. O primeiro, da parte da manhã, versou acerca da “Arte da homilia litúrgica”. O assunto foi desenvolvido pelo Padre Dr. Joaquim Martins, que o examinou pormenorizadamente nos seus vários aspectos, sobretudo na sua referência aos textos bíblicos, na sua preparação, na sua estrutura, na sua brevidade e na sua linguagem.

Durante a tarde, foi tratado o segundo tema, que se subordinou à “Arte Religiosa e Liturgia da Igreja”. Orientado por Mons. João Gaspar, houve ocasião de se focar o cuidado que se deve ter na escolha dos arquitectos e no desenho dos respectivos projectos de obras, sejam de adaptação ou de ampliação de igrejas antigas, sejam de construção de novos templos. Ainda foram lembrados alguns pormenores sobre o trabalho delicado de conservação de retábulos em talha e de peças multi-seculares, bem como sobre a feitura e a colocação do altar, do ambão e da cadeira do presidente. Também não foram esquecidos os lugares da reserva eucarística, da fonte baptismal e das imagens; finalmente, falou-se da cautela a ter com os bens precio-sos, incluindo a própria documentação arquivística, e ainda da necessidade premente de inventários.

O segundo dia foi totalmente preenchido pela exposição de que se encarregou o Padre Dr. Manuel de Pinho Ferreira, que fez incidir as suas judiciosas palavras em duas alíneas: – “Relações Igreja-Mundo”, vistas à luz dos princípios do Concílio Vaticano II; e “Testemunho profético de D. António Ferreira Gomes no mesmo campo”. O desenvolvimento do tema, nas suas diversas vertentes, que servira para a investigação e o estudo em ordem à tese de doutoramento do orientador, trouxe à ribalta uma época da política portuguesa, em que não foi fácil nem linear o diálogo mútuo entre a Igreja e o Estado. Muitos pormenores explanados vieram lembrar alguns desencontros e discordâncias, não só entre os princípios da Ditadura Nacional e da Doutrina Social da Igreja, mas também noutros campos de acção concreta. Recordou-se concretamente, e por vezes com minúcia, a atitude singular e corajosa do então Bispo do Porto; a sua conhecida “Pró-Memória”, enviada ao então Presidente do Conselho de Ministros, Dr. António de Oliveira Salazar, em 13 de Julho de 1958, foi analisada em muitos dos seus pormenores.

Ao longo dos diferentes trabalhos de reflexão, os participantes não deixaram de fazer perguntas, pedir esclarecimentos ou até dar várias achegas, com base nas suas experiências e conhecimentos pessoais.