A força da Palavra na Eucaristia que celebro

Eucaristia no meu coração Tremi de comoção, e, com frequência, continuo a tremer, ao pronunciar as palavras da instituição da Eucaristia e ter nas minhas mãos Jesus, nos sinais do pão e do vinho. Tremo de medo, por me sentir pobre e indigno diante da presença do Salvador do Mundo, e por isso, repetidamente Lhe digo: “não sou digno, Senhor!”… Tenho receio de beijar o altar (Cristo), em meu nome e em nome da assembleia, não vá misturada com o beijo filial, alguma traição iscariote. Nestas, e outras situações, experimento a extensão do Sacramento que não é apenas banquete do Ressuscitado, mas também participação na Paixão e Morte de Jesus!

Sustenta-me e mergulha-me no “mistério da Eucaristia” a força da palavra de Deus que vai iluminando a celebração, e, embora mantendo velada a glória de Cristo, se faz sentir no “arder do coração”. Palavra que, inserida em todo o desenrolar do Sacramento, me espevita a fé, impulsiona a evangelização e movimenta a caridade. Palavra que, precedendo, acompanhando e seguindo o mistério eucarístico, se torna esclarecedora, criadora, orante e activa.

No sacramento, a palavra divina tem uma “força” impulsionadora para estabelecer o meu diálogo com Deus. É, na celebração da Eucaristia, e de modo especial enquanto se pressente a conservação das espécies, que se me proporciona o melhor momento para entregar a vida nos braços acolhedores do Pai, no estreitar terno do coração da Mãe, e de depositar nas mãos de Jesus todos os que me pedem intervenção favorável. E, na medida do seu desenvolvimento, o coração vai-se-me enchendo de alegria, paz, serenidade, confiança, amor!…

Este testemunho ficaria incompleto se não incluísse um pedido de perdão a Deus e aos homens, especialmente àqueles que pertencem ao meu pastoreio; perdão para as minhas fraquezas e faltas de zelo apostólico: “Senhor, tem piedade e aumenta a minha fé!”

Padre Domingos Rebelo