À Luz da Palavra – 3º Domingo da Páscoa – Ano A O tema da ressurreição do Senhor continua a ser o assunto principal deste domingo. A Páscoa continua-se no tempo pascal, o qual se vai prolongar até ao Pen-tecostes. Nele, vamos compreendendo as distintas formas que o Rei Vitorioso utiliza para se manifestar aos seus discípulos, para que acreditem nele. As narrativas das aparições do Senhor ressuscitado dão-nos conta da sua incredulidade.
O evangelho de Lucas, que lemos neste domingo, coloca-nos diante de dois discípulos, naturais de Emaús, que abandonaram o grupo do Senhor, decepcionados com tudo o que se passara por ocasião da morte de Jesus. Para eles tudo tinha acabado. “É verdade que algumas mulheres do nosso grupo… vieram dizer que lhes tinham aparecido uns anjos a anunciar que Ele estava vivo. Mas a Ele não o viram”, confessam ao companheiro, que deles se aproximou e fez caminhada com eles. Esse companheiro era o próprio Jesus ressuscitado, que eles não reconheceram, senão no fim da jornada, quando entrou com eles em casa e, sentando-se à mesa, “tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho”. Nesse preciso momento os seus olhos abriram-se e recordaram quanto lhes dissera pelo caminho e como os seus corações estavam incandescen-tes e arrebatados. O companheiro de viagem era Ele mesmo, o próprio Jesus vivo e glorioso!
Na primeira leitura, Pedro esforça-se por fazer compreender aos habitantes da Judeia que o salmo 15, todo ele dedicado à ressurreição, entrevê a ressurreição do Senhor. Na segunda leitura, o mesmo apóstolo insiste no valor da nossa redenção adquirida pela morte e ressurreição de Jesus Cristo, na qual é preciso acreditar.
A incredulidade continua em muitos homens e mulheres dos nossos dias. Para muitos, acreditar supõe ver, apalpar, sentir. Mas a fé exige que se confie nas testemunhas da ressurreição e na Tradição cristã que vai passando de geração em geração. É urgente que deixemos abrasar os nossos corações na palavra da Escritura, seja ela narrada por Jesus, por Pedro, pelo bispo, pelo padre ou pelo/a catequista. É a mesma Palavra e tem a mesma força salvadora. Merece a mesma credibilidade. Mas é preciso que os que a narram sejam também testemunhas, isto é, que vivam o que proclamam, para que a mensagem passe aos outros com o mesmo poder criador e renovador que tem.
Leituras do 3º Domingo de Páscoa
Act 2,14-33; Sl 16 (15); 1 Pe 1,17-21; Lc 24,13-35
Deolinda Serralheiro
