Testamento espiritual de João Paulo II “A Ressurreição de Cristo é para nós sinal eloquente, decisivo, da despedida deste mundo – para nascer no outro, no mundo futuro.” Esta é a convicção de João Paulo II, que o faz atravessar cheio de confiança os “tempos indizivelmente difíceis e inquietos”, que o Mundo e a Igreja que ele amou viveram nos seus dias. “Exprimo a mais profunda confiança de que, apesar de toda a minha fraqueza, o Senhor me concederá todas as graças para enfrentar, segundo a Sua vontade, qualquer missão, prova e sofrimento que Ele queira pedir ao Seu servo, no decurso da vida. Tenho também confiança de que Ele não permitirá nunca que, através de qualquer atitude – palavras, obras, omissões – possa trair as minhas obrigações nesta santa Sé Petrina.”
Confessa que foi preparado pelo “Primaz do Milénio” – o Cardeal Stefam Wyszynki – pelas suas lutas para viver a missão, pela sua confiança. E pelo antecessor deste – o Cardeal August Hlond – de cujas lutas, de cuja vitória herdou a entrega total a Maria: “A vitória, quando chegar, será uma vitória através de Maria.”
As notas que João Paulo II deixa, como expressão das suas vontades últimas e íntimas, são sobretudo a confissão do seu desejo de sempre seguir o Senhor, de que todos os seus passos sejam caminho para o encontro definitivo com Ele. E a confiança plena, mediada pela confiança em Maria, leva-o a uma entrega nas suas mãos maternais de tudo e de todos, fazendo jus ao seu lema “Totus Tuus”.
A simplicidade de quem agradece a todos e a humildade de quem a todos pede perdão, bem como o desprendimento de toda e qualquer relevância para o seu túmulo – “a sepultura na terra, não num sarcófago”, com um discreto sinal, que indique o lugar e convide à piedade cristã, como pedira Paulo VI – coroam uma vida de entrega firme, mas sempre apontando para Jesus Cristo.
E na mesma morte – a sua Páscoa – quer ainda entregar-se “para a causa mais importante que desejo servir: a salvação dos homens, a salvaguarda da família humana, e nela de todas as nações e povos”…
Obrigado, Santo Padre, pela entrega até ao fim!
Nota – O Papa passou na estação de Aveiro, no dia 15 de Maio de 1982. O comboio não parou, porque não estava prevista esta viagem e seria difícil, à última hora, organizar a segurança. Seria bom, para a história de Aveiro, que a REFER fizesse afixar uma placa discreta, assinalando a efeméride. Fica a sugestão.
