Bento XVI ou Ratzinger 3?

Os sinos da Basílica de São Pedro repicavam ainda, quando os “analistas” se desdobravam já em qualificar – ou condicionar? – o perfil de Bento XVI. O Cardeal Joseph Ratzinger, acabado de se apresentar à Igreja e ao Mundo, consciente da sua debilidade, mas confiado na força do Senhor, sofria o efeito dos primeiros “desejos” dos media.

Bento XVI, na mensagem final da Eucaristia desta manhã, primeira comunicação formal à Humanidade, manifestou-se tal qual é: um teólogo esclarecido, mas firme; o consciente sucessor de Pedro, para confirmar na fé os seus irmãos, pesem, embora, sobre esta missão, os contornos cinzentos com que o seu trabalho de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé o “adornaram”; o humilde servidor da Humanidade, no trabalho específico de servir a Igreja, toda ela convocada para ser solidária com ele. Por isso, bem ao contrário de Ratzinger 3, Sua Santidade apresenta-se como o mesmo teólogo do Vaticano II, como o mesmo Prefeito do serviço de João Paulo II à clarificação e afirmação da Fé.

O Vaticano II terá de ser a bússula do terceiro milénio; a Eucaristia, auspiciosamente a marcar o ano da sua eleição, terá de ser o núcleo central da vida cristã; os caminhos do Ecumenismo são irreversíveis; Maria, com um lugar de direito no coração da Igreja, será uma segura Mãe para o Papa; o compromisso com toda a Humanidade, na busca da dignificação da pessoa humana, não pode ser preocupação secundária do sucessor de Pedro; os Jovens, paixão de João Paulo II, estão nos primeiros abraços do Santo Padre eleito.

Confessando sentir nestes dias a mão e o olhar do seu antecessor a estimulá-lo – “Não tenhas medo!” -, Bento XVI apresenta-se como o Papa da continuidade, com a sua personalidade própria. Bem-vindo, Santo Padre! Que a Igreja saiba estar, com o amor crítico, ao lado do Sucessor de Pedro! Que o Mundo entenda que quem o ama não é quem lhe diz o que ele gosta de ouvir!

Querubim Silva