Desemprego a crescer

Por mês, 265 ficam sem trabalho Há, no distrito de Aveiro, 31.580 desempregados, o que corresponde a 6,68 por cento do total de desemprego no continente – revelou a União dos Sindicatos de Aveiro (USA), com dados relativos a Março de 2005. Enquanto no país o desemprego aumentou 2,54 por cento no último ano, no distrito o aumento foi de 11,16 por cento, de 28.410 desempregados em Março de 2004 para os actuais 31.530. Por outras palavras e números, neste último ano, em média, 265 trabalhadores do distrito foram lançados mensalmente no desemprego.

A única boa notícia no meio deste panorama é que, de Fevereiro para Março deste ano, houve uma ligeira diminuição no número de desempregados (0,78 por cento: em Fevereiro de 2005 eram 31.827). Porém, segundo Joaquim Almeida, essa diminuição não deverá indicar nenhuma tendência, sendo apenas fruto da entrada de desempregados de longa duração na reforma.

Mulheres e jovens, os mais afectados

As mulheres são as mais afectadas pelo desemprego: 18.948 desempregadas (60 por cento do total no distrito). Registam-se ainda cifras elevadas no desemprego dos jovens (idade inferior a 35 anos): 12.927 desempregados (40,93 por cento).

Aveiro é o quinto distrito com mais desemprego registado. 8,87 por cento da população activa não tem trabalho. Em Portugal, há 484 mil desempregados registados nos centos de emprego.

Por concelhos, o ranking do desemprego no distrito é o seguinte: Santa Maria da Feira, 7.143 desem-pregados; Ovar, 3.090; Aveiro, 3.088; Espinho, 2.746; Oliveira de Azeméis, 2.286; Águeda, 1.779; Ílhavo: 1.636; Castelo de Paiva, 1.489; e Estarreja, 1.225. Os restantes concelhos registam números abaixo do milhar.

Futuro pouco animador

A USA elencou os casos de empresas “que se apresentam como problemáticos e, ou irreversíveis”, onde se destacam: a Yazaki (Ovar), 500 trabalhadores; a Philips (Ovar), 160; A Universal Motors (Ovar), 90; a Ardifil (Águeda), 80; e muitas outras pequenas e médias empresas, principalmente do têxtil e do calçado.

Segundo a USA, esta situação deve-se a três razões: a liberalização total do comércio internacional têxtil, amplificado pela entrada da China na Organização Mundial de Comércio; o baixo crescimento económico – “só um crescimento acima dos 3 por cento do PIB terá reflexos na descida do desemprego”, disse Joaquim Almeida –; e a “estagnação e redução dos salários reais, que não permitem a dinamização do mercado interno”. Perante este cenário, a USA “exige das entidades locais e do governo uma urgente abordagem específica da situação no distrito, de modo a que sejam tomadas medidas de curto e médio prazo, tendentes a travar e a inverter a situação”.