Desemprego de diplomados – decepção inevitável?

Questões Sociais 1. Acha-se difundida, em quase todo o país, uma decepção profunda relacionada com o desemprego de diplomados habilitados com cursos superiores (bacharelatos, licenciaturas, mestrados, doutoramento…). A decepção acha-se agravada com o facto de muitos diplomados empregados ocuparem postos de trabalho considerados inferiores, devido às baixas remunerações, às deficientes condições de trabalho e também ao tipo de trabalho, alegadamente menos qualificado ou menos dignificante.

2.Apesar de tanta decepção, a informação estatística mostra que a habilitação escolar superior continua a ser vantajosa em termos de emprego. Assim, de acordo com elementos difundidos pelo Observatório do Emprego e Formação Profissional, a taxa de desemprego dos diplomados com curso superior foi sempre a mais baixa, no período de 1998 a 2004. Em contrapartida, a dos diplomados com o ensino secundário foi a mais alta, excepto em 2004.

3. Em todo o caso, justificam-se plenamente as preocupação relativas ao emprego dos diplomados com cursos superiores (como se justificam também relativamente a trabalhadores com outros níveis de escolaridade). Se forem adoptadas providências desde já, podem evitar-se problemas gravíssimos no futuro e as correspondentes decepções.

Para que tais providências sejam eficazes, impõe-se atentar nas causas das dificuldades de emprego dos diplomados habilitados com cursos superiores. Nessas causas, sobressaem três tipos de desajustamento.

4. O primeiro desajustamento observa-se entre a oferta e a procura de emprego: o número de postos de trabalho tidos por adequados àqueles diplomados é claramente inferior às necessidades. O fenómeno é, particularmente, grave nalguns cursos.

O segundo desajustamento situa-se no plano das aspirações. Os diplomados e suas famílias aspiram a empregos gratificantes, mesmo sem trabalho. Pelo contrário, a economia exige sobretudo trabalho, mesmo sem empregos gratificantes.

O terceiro desajustamento ocorre no plano da responsabilidade. Uma elevada percentagem de diplomados com curso superior (e de cidadãos em geral) responsabiliza a sociedade pela solução do seu problema de emprego, enquanto esta exige, cada vez mais, a responsabilização individual.