Concorda com a greve geral de 24 de Novembro? Vai participar?

Painel Adelino Nunes

Dirigente da União dos Sindicatos de Aveiro

Concordo e vou participar. A greve é inevitável. Não temos alternativa. A greve é necessária para que o governo e o capital vejam que há alternativas às medidas de austeridade que estão a fazer recair sobre os pensionistas, empregados e crianças – que ficaram sem abono. Os problemas do país podem ser resolvidos sem os cortes de salários, pensões, subsídios, que afectam os mais frágeis, e sem aumento do horário de trabalho.

Alternativas? Bastava taxar a 2 por cento as transacções da bolsa, que em Portugal ascendem a 175 mil milhões de euros por ano, em vez de cortarem, como já cortaram, parte do subsídio de Natal deste ano e o subsídio de férias e de Natal dos funcionários públicos, no próximo ano.

Porque há alternativas, fazemos greve e convidamos os trabalhadores, os desempregados, os pensionistas a participarem nas “praças da greve geral”, na tarde de 24, em Águeda, Aveiro, Santa Maria da Feira, Ovar e São João da Madeira.

Georgino Rocha

Padre, com especialidade em Doutrina Social da Igreja

Compreendo as razões dos que promovem a greve geral. Estou em sintonia com associações de trabalhadores que vêm a público dar-lhe apoio, designadamente a LOC e a JOC. Reconheço a força do que está “em jogo” e a crítica a uma ordem económica que, há muito, devia ter seguido o rumo que privilegie a pessoa e não tanto o lucro a todo o custo. O magistério da Igreja é particularmente claro neste sentido.

A situação grave do país, integrado que está num sistema capitalista liberal europeu que “amarra” tão fortemente os seus membros, o alheamento real de tantos indivíduos, a pressão da falta de visibilidade de alternativas credíveis, suscitam-me algumas dúvidas sobre o alcance do que justamente se pretende. Daí, as minhas reticências fundadas sobre esta greve geral.

Desejo sinceramente que o benefício comum supere os estragos causados, sobretudo aos que mais sofrem os seus efeitos negativos. E que a greve, incontestada como direito, seja sempre o último meio para avançar numa solução que a todos diz respeito: a paz social assente na justiça e na equidade.

Rui Oliveira

Empresário

Gastámos o que tínhamos e o que não tínhamos, agora temos que aguentar com as consequências. Não concordo com a greve. Temos é de trabalhar mais. Na minha empresa, ninguém faz greve. Desde o 25 de Abril, nunca ninguém fez.

O país levou uma vida de vícios ao longo dos últimos 20-30 anos. Se estamos na situação em que estamos, é porque fizemos figura de ricos com bolso de pobre. Aconteceu ao país o que acontece a muitas famílias. Ganha 100, mas gasta 101 e a seguir 102, 103. Depois começa a pedir para pagar as dívidas e a seguir tem de pedir para pagar os empréstimos e entra num ciclo vicioso. No fim, fica sem bens, sem trabalho, sem nada. Andámos a empurrar os problemas com a barriga para a frente, à espera de uma solução milagrosa.

Só tenho pena de algumas pessoas sem culpa que foram na facilidade dos créditos. Crédito para a casa, para o carro, para a mobília. Viam os outros a gastar e faziam o mesmo. E os bancos davam crédito sem verem de se facto as pessoas tinham condições para pagar.