Um político, num cargo público, deve revelar se é maçon?

Painel Filipe Neto Brandão

Deputado à Assembleia da República por Aveiro (PS)

Creio que sim. Recordo que foi o próprio Dr. António Arnaut, com a autoridade que lhe advém do facto de ter sido Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, a defender recentemente que todos os maçons se deveriam assumir publicamente como tal, por vontade própria. Assim sendo, nenhuma razão haverá para excluir os maçons que exerçam cargos políticos dessa assunção pública, que o próprio Dr. António Arnaut qualifica, aliás, como um dever.

Maria da Luz Nolasco

Vereadora da Câmara Municipal de Aveiro (PSD / CDS-PP)

Sim. Os políticos que estão ligados a sociedades secretas, que funcionam nos bastidores, têm o dever de declarar essa pertença. Como fazer? Uma possibilidade é, ao assumir um cargo público, dizer no espaço que lhe é próprio, na Assembleia Municipal, na Assembleia da República ou noutro espaço, que faz parte de alguma organização que constitui um grupo de interesse com influências múltiplas. Penso que é um dever de transparência para quem assume funções públicas. Os políticos devem ter essa conduta ética.

Gil Nadais

Presidente da Câmara Municipal de Águeda (PS)

Sim, ou pelo menos não deve esconder essa sua ligação, isto para que possam ser conhecidos os grupos onde está inserido e os possíveis interesses que possa representar.

No entanto, consideramos que é um ato de consciência. O dar a conhecer as suas ligações maçónicas ou a outras entidades (não previstas na lei) deve ser um ato de consciência.

Ribau Esteves

Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo (PSD)

Sim. Deve revelar todas as suas ligações a entidades que de alguma forma se relacionam com o exercício da sua função. E continua a ter o direito de reserva da sua vida privada. O problema não reside na participação em associações de natureza privada, mais ou menos secretas. Embora a natureza secreta de certas entidades, no mundo em que vivemos, nunca seja saudável. A questão está em garantir que esse tipo de relações é independente do exercício da função política.

Na política, como na vida, é preciso cuidar do ser e do parecer. É preciso ser sério, rigoroso, transparente e estar acima de qualquer suspeita. E é preciso parecer, cultivar com substância e verdade, a imagem de seriedade, de rigor e de transparência. Mas se estes valores apenas estão nos discursos, isso é fatal para a credibilidade dos políticos.