Que outros jejuns e abstinências podem os cristãos fazer na Quaresma?

Painel Maria Idalina Vieira

Professora de EMRC na Branca

Podemos fazer a abstinência de tantos “ismos” que nos impedem de ver a realidade com os olhos de Jesus Cristo, que nos impedem de agir mergulhados no Amor Ágape; o jejum de palavras que magoam, de silêncios cáusticos, de gestos desprovidos do Amor sublime.

A Quaresma será sempre um exigente desafio a libertarmo-nos das inúmeras listas de objetos, alimentos, hábitos a que nos encontramos aprisionados. O sacrifício e a renúncia hão de ter como destino a partilha e a libertação.

Lucília Amador

Catequista na Glória

Para além dos jejuns e abstinências que a Igreja recomenda, que penso que é bom cumprir, podemos intensificar a oração e aumentar a atenção para com os de perto e os de longe. Quanto a renúncias, falo com as minhas netas sobre como se pode viver bem sem precisar disto e daquilo. Pode-se renunciar a muitos bens para se ser mais solidário.

Preocupa-me, mais na Quaresma, que nós, cristãos, saiamos da Eucaristia sem estarmos comprometidos na missão, que os atos religiosos sejam somente atos sociais.

Júlio Grangeia

Pároco de Travassô, Óis da Ribeira e Espinhel

O jejum e a abstinência que interessam não têm a ver com comer ou deixar de comer carne ou peixe ou o que quer que seja nesta linha. O que (mais) conta é (tentar, pelo menos) corrigir aquilo que de facto é mais urgente em mim em ordem a uma conversão mais efetiva, a nível pessoal e/ou interpessoal. Foi com esta ideia na cabeça que deixei de fumar há anos, porque foi esse o meu propósito quaresmal dessa altura. E resultou: pela minha força de vontade mas também (e, para mim, sobretudo…) pelo facto de ser …Quaresma! Sinto, ainda hoje, essa libertação ou essa “Páscoa”. E alguns também a sentiram porque “lucraram” com as minhas “poupanças” e, já agora, com o meu “lucro”, mesmo sem aspas. Este ano, nesta quaresma, é qualquer coisa deste jeito. Mas bem pessoal também. Tão pessoal que só a mim diz respeito.