Bispo de Aveiro na Bairrada

Breves notas da visita pastoral de D. António Francisco a Paredes do Bairro, Aguim, Moita e Arcos, no arciprestado de Anadia

A visita do Bispo de Aveiro encerrou no dia 23 de Maio, na Arciprestelândia, um evento organizado pelos jovens para todas as comunidades paroquiais do arciprestado de Anadia (ver edição da semana passada). Impõe-se, contudo, uma palavra sobre a visita de D. António Francisco às paróquias ainda não referidas nas páginas do Correio do Vouga: Paredes do Bairro (visita de 15 a 18 de Abril), Aguim (de 28 de Abril a 1 de Maio), Moita (de 3 a 9 de Maio) e Arcos (de 10 a 23 de Maio, com a visita do Papa a Portugal pelo meio).

Em Paredes do Bairro, D. António Francisco lembrou que a freguesia civil tem apenas 25 anos e a paróquia apenas 15, o que torna “muito vivo o sentimento da vossa identidade”. No entanto, “que nada vos separe e distancie das outras comunidades vizinhas e das outras paróquias do arciprestado”, disse o Bispo de Aveiro. “Procurai trabalhar em união com todos e em colaboração permanente dando aos outros o contributo da vossa cooperação e abertura às iniciativas arciprestais e diocesanas”, apelou. O Bispo de Aveiro, em consonância com Comissão Diocesana de Arte Sacra, pediu que se redefina a “dimensão do projecto [da nova igreja matriz] em alguns traços que concretizem a sua localização e a ocupação do espaço envolvente e do enquadramento urbanístico”. O P.e Tiago Kassoma, pároco, realçou, por outro lado, a ênfase posta nas vocações. “O Sr. Bispo deixou claro que tem de haver um compromisso cristão com as vocações. Frisou que as vocações surgem da família. O compromisso começa na família”, disse ao Correio do Vouga.

Em Aguim, paróquia igualmente recente (instituída em 1992), o Bispo de Aveiro pediu realismo na hora de projectar a nova igreja – para a qual já foi comprado terreno – mas “sem deixarmos de ser ambiciosos”. Congratulou-se com as iniciativas no campo da solidariedade social, de que é exemplo o Centro Social e Cultural de Nossa Senhora do Ó, e deixou alguns apelos pastorais: “Dai prioridade à evangelização dos que não crêem, à formação dos que crêem e ao testemunho de amor solidário e cristão junto dos que sofrem; valorizai o testemunho do amor cristão vivido pelas famílias desta paróquia para que sejam junto das crianças e dos jovens de hoje modelo do amor santo e belo vivido com a bênção de Deus pelas famílias unidas pelo sacramento do matrimónio; abri espaço no coração generoso dos jovens e das famílias à vocação para a vida sacerdotal e consagrada”.

Na paróquia da Moita, D. António Francisco encontrou uma “comunidade cristã centrada no essencial (…), alicerçada na Palavra de Deus, reunida na comunhão de todos com o nosso pároco, congregada na unidade dos vários lugares, povos e grupos apostólicos, alimentada pela Eucaristia e pela graça dos sacramentos, fortalecida pela oração e pela adoração, de intenso espírito mariano, aberta e solícita com todos, com uma bela e activa obra social e uma exemplar acção sócio-caritativa da Comunidade, através do Centro Social e Paroquial”. O pároco, P.e Vitor Espadilha sublinha que o “programa foi intenso, constou de visita aos 12 lugares de culto, onde foi recebido festivamente pela população de cada lugar, onde pregou e rezou com e pelas pessoas”. “Foi uma semana intensa que uniu todo o povo ao seu pastor e fez crescer em todos a consciência do sacerdócio comum dos fiéis neste Ano sacerdotal”, acrescenta.

Em Arcos, o Bispo de Aveiro afirmou: “Senti a alegria da comunidade e das pessoas ao receberem o seu Pastor, desde as crianças, aos jovens, às famílias, aos doentes e aos idosos; desde as escolas, às instituições e às empresas. Obrigado por todo este acolhimento. Vivi em comunhão e partilha as vossas alegrias e esperanças, as vossas dores e provações, as vossas dificuldades e apreensões diante do futuro. Estive convosco e desejei ser um de vós: cristão convosco e bispo para vós”. Ao P.e António Torrão, que é também pároco de Tamengos e Aguim, deixou uma palavra de alento, como aliás em todas as paróquias: “Conhecia já o zelo generoso do nosso Pároco mas senti que era bem maior o peso do seu trabalho e acrescidas as exigências da sua missão diante dos imperativos de uma acção pastoral a exigir tempo de oração, de formação e de disponibilidade para servir as comunidades com alegria, com entusiasmo e com esperança”.

A nova igreja de Arcos está quase pronta, mas não foi possível inaugurá-la na conclusão da visita. D. António Francisco referiu que se trata de uma “abençoada oportunidade” para mobilizar a comunidade cristã. “Uma igreja nova ajuda-nos a construir uma Igreja de pedras vivas que todos somos e a convocar para a missão todos os membros desta Igreja viva”, disse.

Em jeito de balanço, P.e António Torrão disse ao Correio do Vouga que a visita foi algo cansativa e realçou o grande acolhimento, com momentos especiais como a oferta de uma cruz peitoral pelos professores do ensino público, em Arcos, ou a primeira vez que celebrou a Eucaristia em Aguim. “O Sr. Bispo trouxe alguns desafios pastorais mas, principalmente, incentivou os que trabalham «no terreno». Penso que também para nós, padres, foi boa, porque ajudou a fortalecer laços”, afirma o sacerdote.

O Bispo de Aveiro prometeu voltar em breve a Anadia. Se não for antes, será na inauguração da Igreja de Arcos.

J.P.F.