O responsável da Igreja Católica pelo apoio aos reclusos acusa a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais de impor um regulamento demasiado burocrático para a assistência religiosa, depois de ter interrompido o diálogo entre as duas instituições.
O padre João Gonçalves considerou que o “Manual de Procedimentos para a prestação da Assistência Espiritual e Religiosa nos Estabelecimentos Prisionais”, em execução desde Janeiro, é “demasiado burocrático e complicado”.
O regulamento elaborado pela Direcção-Geral dos Serviços Prisionais, que “exige o preenchimento de fichas muito pormenorizadas”, devia ter sido “mais dialogado com os assistentes espirituais e religiosos da Igreja Católica e de outras religiões”, defende o sacerdote de 67 anos, da Diocese de Aveiro.
O padre João Gonçalves diz compreender que as prisões são locais de segurança mas salienta que os procedimentos “demasiado embrulhados em papéis tiram a espontaneidade de uma conversa num corredor, recreio ou sala de convívio”, limitando a “missão” evangelizadora da Igreja junto de pessoas “tão carenciadas e sofredoras”.
O coordenador nacional da Pastoral Penitenciária, há oito anos no cargo, sublinha que a Igreja não foi consultada na elaboração do documento, mas sabe que a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais tem uma posição diferente, por ter interpretado como colaboração uma reunião realizada em 2009 entre a antiga directora-geral, Maria Clara Albino, e o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, o bispo D. Carlos Azevedo, na qual tomou também parte o padre João Gonçalves. O diálogo não prosseguiu depois da substituição de Clara Albino pelo actual director-geral, Rui Gomes de Sá, em Dezembro de 2009.
As declarações do padre João Gonçalves, também capelão do Estabelecimento Prisional de Aveiro, foram proferidas no âmbito do 7.º Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, que entre hoje e amanhã debate em Fátima o tema ‘Prisões – Um Desafio à Sociedade’.
