1. O tema das festas religiosas é recorrente nestes dias de verão. Não há recanto do país onde não rebentem foguetes, onde não ecoem, noite fora, os ensurdecedores ruídos de percussões descontroladas. E, salvo raras exceções, sob o nome de uma figura religiosa.
Em muitas dessas festas têm pleno cabimento as palavras de Isaías: “Não suporto as luas novas, os sábados, as assembleias, a impiedade das vossas festas”. De facto, a Virgem Maria, os Santos, o próprio Senhor Jesus, hão de sentir-se enjoados com aquilo que, em seu nome, se faz. Mais: ficarão perplexos com o uso da sua pessoa para angariar fundos para todo esse estendal de paganismo.
O que poderia ser uma ocasião de elevação cultural, de convívio sadio, de expressão artística de qualidade, de manifestação de fé genuína, não passa – quantas vezes! – de brejeirice, de maliciosa relação, de vulgaríssima mediocridade, de confusa mistura de fideísmo e superstição.
A festa é inerente à natureza humana. Tem um papel preponderante para o equilíbrio pessoal e social. Mas todos sabemos que se mistura em nós a nobreza e a decadência, a elevação e o naturalismo selvagem…
Então, que se cuide de preservar e promover o que nos dignifica e constrói, moderando os instintos “rasteiros”, que apenas degradam. E, nesse aspeto, o esforço das entidades religiosas tem de ser visível, desde os Párocos à Cúria diocesana. É bem mais fácil ignorar e passar ao lado, lavando as mãos de uma responsabilidade que, em primeiro lugar, é de quem tem a missão de educar na fé.
2. A confiança conquista-se com decisões que recuperem a transparência, que promovam a verdade, que façam brilhar a justiça. Ao contrário disto mesmo, o nosso quotidiano permanece envolvido numa cortina de fumo que nos vai roubando a vontade de lutar por um futuro de esperança.
Em verdade, os truques de políticos e homens de negócios, a inoperância e as águas turvas da justiça, que deixam impunes os indiciados cujos factos – diz-se – acabam por não ser comprovados, que dão penas suspensas, penas ligeiras ou liberdades condicionais a quem tem os meios para desencadear recursos, requerimentos…, desmotivam os que lutam por um país verdadeiramente democrático.
Um exemplo: Não se sabe quanto gasta, por ano, cada escola estatal e qual o número de alunos que a frequenta, para concluir quanto custa ao erário público cada aluno? Ou não há vontade de reconhecer como se desperdiçam ou como se poupam os dinheiros públicos? Enquanto tudo continuar a ser uma “festa”, sem rei nem roque, será difícil acreditar num futuro de esperança. Enquanto estas contradições forem o prato do dia, na sociedade como na Igreja, estamos no caminho inverso da harmonia e da paz social.
