O que diz… Todos diferentes
A percepção consiste em percorrer e captar. Ora, todos percebemos de múltiplas maneiras, influenciados pelos contextos religiosos, científicos, étnicos. Ninguém percepciona da mesma maneira. Como diziam os antigos, aquilo que é recebido é recebido à maneira daquele que recebe.
Três culturas
Somos todos herdeiros da cultura grega, romana e judeo-cristã. Do senhor da mercearia ao ateu, estamos todos marcados por estes pressupostos.
Filosofar
Filósofo é aquele que passa do singular vivido para o universal. Todos passam pela tristeza. Filósofo é o que pergunta: “O que é a tristeza?” Interroga o particular vivido e quando volta a ficar triste já vive a tristeza de outro modo. Tem outro olhar.
O que é o comportamento humano?
O ser humano sempre teve comportamentos. Mas só no séc. XIX começou a estudar cientificamente o comportamento humano, surgindo então a psicologia, a sociologia, as filosofias do comportamento e, mais tarde, a genética e outras ciências. Mas a grande questão continua a ser: O que é o comportamento humano?
Os meus actos fazem-me
Comportar-se é agir e fazer. Os factos ficam nos objectos. Os actos ficam no sujeito, ficam em quem os pratica. Através do comportamento vamo-nos transformando. Somos por aquilo que fazemos, agindo. Os actos ficam em nós e vão-nos modificando ao longo da vida. Só o comportamento humano é que pode ser bom ou mau, porque só o ser humano tem a capacidade de se regular e de se dirigir conscientemente para determinados fins.
Equilíbrio/desequilíbrio
A prática da virtude ou do vício cria em nós uma segunda natureza. Tendemos para o equilíbrio, se praticamos a virtude. Ou para o desequilíbrio, se não a praticamos. O comportamento é uma regulação. Mas qual o fundamento das regras comportamentais? A razão e não a sociedade – que é resposta que habitualmente os alunos dão.
Crise ou confusão de valores?
Vivemos uma crise de valores ou uma des-hierarquização dos valores? Segundo algumas classificações, há valores baixos (agradável / não agradável) e mais altos (éticos, estéticos e religiosos). O que dura mais? Ir às compras ou visitar um museu? O valor mais importante dura mais e causa maior satisfação. Hoje, os valores mais baixos estão mais valorizados. Todos sabem frui-los. Mas quando se sobe na escala, apercebemo-nos de que os valores mais elevados causam maior satisfação.
Valores e modas
Quanto mais baixos são os valores, mais mudam de época para época, de local para local, consoante as modas. São valores situados, mutáveis, frágeis. Os valores mais altos são mais universais. São as elites do serviço (aos outros) que fazem emergir os valores universais.
Crise de autoridade
A crise de autoridade é uma crise do serviço competente, responsável e autónomo.
Comportamento virtuoso
Virtude é fazer o que devo, no momento em que devo, a quem devo e como devo. Comportar-se bem é uma rude tarefa. Implica esforço. Vale a pena.
Divididos
São Paulo cita Ovídio quando diz: “Vejo o melhor e sigo o pior”. Prefiro a rosa, mas escolho ao automóvel. Por isso precisamos de pedagogia. Pedagogo é o que refontaliza, leva-nos à fonte da razão e da sensibilidade.
Amor e amizade
Há regras e valores que não mudam. O amor, a amizade, a coragem são tão importantes hoje como no tempo de Afonso Henriques. Por isso diz São Paulo: “Se não tiver amor / ágape…” não valho nada. “A fé e a esperança passarão. A amizade não passará”. Se não fizer amigos, se não tiver amigos…
