Mensagem de pesar da Diocese de Aveiro pela morte do Senhor Cardeal D. José da Cruz Policarpo

D. José Policarpo preparava-se para vir a Aveiro no dia 2 de abril, para uma conferência. Foto tirada no dia 20 de novembro de 2009, em Aveiro, durante a Semana Social
D. José Policarpo preparava-se para vir a Aveiro no dia 2 de abril, para uma conferência. Foto tirada no dia 20 de novembro de 2009, em Aveiro, durante a Semana Social

Neste momento de dor e de tristeza pela morte inesperada do Senhor Cardeal Patriarca D. José da Cruz Policarpo, sinto o dever de juntar em nome pessoal e com a Diocese de Aveiro a nossa voz de pesar e a nossa oração a todos quantos manifestam a sua comunhão com a Família, com o Patriarcado de Lisboa e com a Igreja em Portugal.
O Senhor D. José foi companheiro de estudos e de vida no tempo de formação no Seminário dos Olivais de vários sacerdotes do nosso presbitério diocesano. Sei que acompanhou sempre com zelo e afecto a vida da nossa Diocese, o ministério dos seus bispos e o sentido evangelizador da missão aqui realizada ao longo das últimas décadas.
Senti isso, também, quando com alegria acolheu os seminaristas de Aveiro neste seu regresso aos Seminários do Patriarcado, onde já tinham estado desde 1939 a 1975. Sempre acolheu todos os convites que lhe foram feitos a partir de Aveiro para estar connosco em várias iniciativas pastorais. Assim aconteceu no ano passado para participar e intervir nas Jornadas de Formação do Clero de Aveiro. Assim se disponibilizou para orientar a próxima Tertúlia organizada pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA) em parceria com o Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC) e com o Correio do Vouga, no próximo dia 2 de Abril.
Quando na passada segunda-feira, dia 10, me encontrou Fátima ao chegar para o Retiro dos bispos, disse-me de imediato: “Peço-lhe uns momentos para falar consigo sobre a minha ida a Aveiro”. E no dia seguinte, depois da conferência da tarde lembrou-me de novo o seu pedido: “Falamos agora?”. Fui ao seu Gabinete de trabalho nos aposentos que lhe estavam atribuídos e ali prolongamos no tempo e nos temas uma inesquecível conversa. Senti mais uma vez e melhor do que nunca que estava diante de um grande Mestre e ao lado de um verdadeiro Irmão. Vi, também, que se preparava para vir com gosto a Aveiro e que acompanhava com dedicação a vida da nossa Diocese.
Deve-lhe a Igreja e devemos-lhe todos nós muitas das decisões e valiosos documentos que marcaram o rumo e definiram os caminhos da Igreja em Portugal nas últimas décadas.
Sabemos como foi presença serena em tantas situações e protagonista lúcido de tantos acontecimentos da Igreja e da Sociedade. Intérprete sábio dos sinais dos tempos e mestre de tantas gerações ensinou-nos a ver mais longe e a ter coragem diante dos desafios que se colocam à missão da Igreja e ao ministério de cada um de nós.
Hoje é a hora da gratidão sentida, a hora da comunhão fraterna e a hora da esperança cristã. Sabemos que o Senhor D. José contempla agora, em Deus, a beleza da Vida e a plenitude da Bem-Aventurança.

Aveiro, 17 de Março de 2014

António Francisco dos Santos, Administrador Diocesano de Aveiro