Paróquia da Glória conhece quem vai às missas e agora quer ser mais “aberta, inclusiva, solidária e missionária”

48 % dos que vão às missas da paróquia da Glória não residem na sua área geográfica. 33% têm estudos superiores. A paróquia da Glória quer mudar ação pastoral a partir dos dados estatísticos.
Participam nas missas da paróquia da Glória 1811 pessoas em cada fim de semana, sendo 864 (48%) não residentes nos limites geográficos da paróquia (correspondentes à antiga freguesia da Glória). Dos que participam, 33% têm estudos superiores (604 pessoas), quase dois terços são do sexo feminino (1139 mulheres ou 63%) e 66% (1203 pessoas) comungam.
Estes são alguns dos dados do recenseamento da prática dominical levado a cabo pela paróquia da Glória nos dias 22 e 23 de fevereiro e que agora, sistematizados, estão a ser refletidos pelos diversos grupos (conselho pastoral paroquial, catequistas, visitadores, entre outros). Até ao final do mês de junho, as sugestões pessoais ou de grupo devem ser entregues aos responsáveis paroquiais para serem tidas em conta na programação pastoral dos próximos tempos.
O recenseamento revela que quase metade dos que vão à missa têm mais de 55 anos (883 pessoas ou 48,7%). A faixa que tem menos participantes é a dos 15-24 anos, 7,9 % (142).
A partir dos dados que a paróquia divulga na sua página na Internet (www.paroquiagloria.org), que incluem os dos recenseamentos dominicais de 1991 (9 e 10 de março) e de 2001 (10 e 11 de março) é possível acompanhar a evolução de uma série de aspetos. Havia 14 missas em cada fim de semana de 1991 e 2001; agora há 11. O número total de participantes passou de 2906 em 1991 para 2444 no início do milénio e 1811 na atualidade, o que dá uma média de participantes por celebração de 208, 175 e 165, respetivamente. Em 23 anos as presenças nas eucaristias diminuiram 36,7%.
Por outro lado, tendo em conta que os censos nacionais de 2011 diziam que a freguesia (e paróquia) tinha 9099 habitantes, a participação dominical dos residentes situa-se nos 10% (947) ou talvez um pouco mais, tendo em conta a tendência de diminição da população . Em 2001, com 9917 habitantes e 1264 praticantes residentes, a participação era de 12,7%. Em 1991, quando os habitantes da paróquia/freguesia eram 9105 e 1931 iam à missa, a participação dos residentes situava-se nos 21%.
A percentagem dos não residentes que participam nas missas da Glória em 2014, já referida, 48 %, mantém-se igual à de 2001 (mas na altura eram 1180). Já em 1991, dos que estavam nas eucaristias, só 34% eram não residentes (contra 66% residentes).
O recenseamento revela ainda que duas celebrações dominicais reúnem quase metade do total dos fiéis: a das 12h na Sé (27%) e a das 19h (20%). Duas outras também se destacam pelo número de participantes: a das 10h30 (16%) e a vespertina das 19h (15%), ambas na Sé.
Nas quatro missas mais participadas, apenas uma tem mais residentes que não residentes. Trata-se da missa das 10h30 (173 residentes e 122 não residentes). “Ao contrário do que se poderia pensar, a missa que tem maior participação de não residentes é a das 12h (218 residentes e 275 não residentes)”, lê-se no documento.
Para ajudar as pessoas a refletir, quer integradas em grupos, quer individualmente, o documento de apresentação dos resultados pergunta aos cristãos se os números “inquietam” e pede sugestões para responder “às lacunas que o recenseamento põe mais a claro”. Deixa ainda uma questão que revela, afinal, o que estará na base da iniciativa da paróquia dirigida pelos padres Fausto Oliveira e José António Carneiro: “Em que campos de ação pastoral devemos investir para sermos, cada vez mais, uma paróquia aberta, inclusiva, solidária e missionária?”.

J.P.F.