Faleceu Armando Coutinho “grande obreiro do escutismo”

Primeira reunião para a formação da Junta Regional de Aveiro, 1951-52. De pé, da esquerda para a direita: Chefe Santana, do grupo de Ílhavo, chefe Armando Coutinho, um amigo do grupo coral e um escuteiro da Junta Central. Sentados, a partir da esquerda: Manuel Azevedo, chefe do Grupo de Ílhavo (pai da chefe Vitorina), o Prior Júlio Tavares Rebimbas, mais tarde Bispo do Porto, chefe Gonçalves Rodrigues, da Junta Central, e o tenente-coronel Ramalheira, indigitado como primeiro chefe regional (foto do arquivo pessoal de Maria Vitorina, dirigente escutista de Ílhavo)
Primeira reunião para a formação da Junta Regional de Aveiro, 1951-52. De pé, da esquerda para a direita: Chefe Santana, do grupo de Ílhavo, chefe Armando Coutinho, um amigo do grupo coral e um escuteiro da Junta Central. Sentados, a partir da esquerda: Manuel Azevedo, chefe do Grupo de Ílhavo (pai da chefe Vitorina), o Prior Júlio Tavares Rebimbas, mais tarde Bispo do Porto, chefe Gonçalves Rodrigues, da Junta Central, e o tenente-coronel Ramalheira, indigitado como primeiro chefe regional (foto do arquivo pessoal de Maria Vitorina, dirigente escutista de Ílhavo)

 

Armando Coutinho fundou os escuteiros da Glória e esteve na origem da Junta Regional do CNE.
Faleceu no dia 27 de maio o antigo dirigente escutista aveirense Armando Coutinho, que fundou o Agrupamento do Corpo Nacional de Escutas (CNE) n.º 191 (paróquia da Glória), participou na constituição da Junta Regional de Aveiro, na década de 1950, e foi o seu primeiro chefe eleito, após o 25 de Abril (antes a Junta era presidida por alguém indigitado pelo poder político). A Junta Regional de Aveiro decretou 20 dias de luto regional pelo “grande obreiro do escutismo em Aveiro”.
Nas exéquias, o atual chefe regional dos escuteiros recordou o “grande trabalho e superior dedicação” do chefe Armando “na construção do escutismo na nossa Região”. Manuel Santos destacou que há pessoas que “na serenidade e beleza da sua vida transformam muito mais a cidade” do que muitos no “barulho que os ensurdece”. “O chefe Armando mudou a cidade, mudou-nos. Hoje Aveiro é mais fraterna e solidária, mais alegre e jovem graças à generosidade do silêncio fecundo do chefe Armando”, afirmou.
“Ele e outros dirigentes da mesma têmpera, de entre os quais destaco o grande companheiro, o Tchill, Padre Miguel, dedicaram grande parte da sua vida a este movimento conferindo-lhe sempre uma seriedade e grande dinamismo, tornando-o assim mais atrativo para as muitas crianças e jovens que, movidos pelo seu entusiasmo, abraçaram este ideal escutista”, acrescentou Manuel Santos, que também agradeceu à esposa de Armando Coutinho, D.ª Conceição.
Armando Coutinho “viveu a 100% a Lei e os Princípios escutistas”, como recorda a chefe Vitorina numa nota enviada a este jornal. “Foi o primeiro dirigente da Região de Aveiro a ser agraciado com a mais alta condecoração a nível nacional – o Colar de Nun’Alvares”, recorda a dirigente ilhavense, cujo pai esteve com Armando Coutinho na formação da primeira Junta Regional. Maria Vitorina nota ainda uma grande coincidência: “O nosso Gris [nome de escuteiro] completou a sua pista terrena num dia assinalado por todos nós, o 91.º aniversário da Fundação do CNE [em Portugal]”.

J.P.F.