Jardins de infância ligados à Igreja devem aprofundar identidade católica

Participaram na formação meia centena de educadores de 20 instituições
Participaram na formação meia centena de educadores de 20 instituições

 

A Diocese de Aveiro tem sensibilizado educadores para o despertar religioso na primeira infância.

A Diocese de Aveiro tem vindo a fazer um trabalho de sensibilização e formação dos educadores que lidam com crianças até aos seis anos (antes do primeiro ciclo do ensino obrigatório) sobre o despertar religioso.
No dia 31 de maio, cerca de meia centena de educadoras de 20 instituições participaram num encontro, no Seminário de Aveiro, em que se deram a conhecer bons projetos desenvolvidos por escolas católicas, falou-se do despertar religioso na primeira infância, aprofundou-se a relação família-criança-instituição e partilharam-se experiências.
Cristina Sá Carvalho, responsável do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), foi uma das formadoras do encontro e explicou ao Correio do Vouga que as creches e os jardins de infância das instituições ligadas à Igreja Católica têm cada vez mais consciência da sua identidade. “As instituições educativas vão-se interrogando sobre qual o seu papel, ainda mais se são instituições da Igreja, com um papel educativo claramente assumido”, afirma.
As dioceses de Lisboa, Setúbal e Santarém iniciaram há mais tempo a reflexão e educação para o despertar religioso na primeira infância. Em Aveiro, sobretudo a partir da Missão Jubilar, iniciou-se um trabalho que tem tido bom acolhimento por parte de educadores e instituições. No encontro do último dia de maio, das 20 instituições representadas, seis não estão ligadas à Igreja Católica, o que revela que há abertura das outras instituições para abordar a questão, como realçou Assunção Costa, diretora do Secretariado Diocesano da Catequese de Infância e Adolescência, que promoveu o encontro.
Cristina Sá Carvalho reconhece no entanto que há um longo cominho a percorrer: “Nos jardins de infância [das instituições particulares de solidariedade social] da Igreja] ainda não há aquela consciência tão formada de que somos escola católica, de que temos um mandato especial”. Por outro lado, aponta um receio de muitos educadores quando se trata de falar da fé cristã: “Há uma compreensão do que é a liberdade religiosa que leva os educadores a precaverem-se de eventuais problemas. Ainda não refletiram sobre como lidar com as famílias que têm outro credo ou não querem que os filhos participem em atividades de cariz religioso”. Para ultrapassar esta dificuldade, Cristina Sá Carvalho falou aos educadores sobre como as instituições podem encontrar pontos de apoio num ideário que afirme a importância da procura da beleza, do bem e da verdade, em linha com o que o Bento XVI e Francisco têm afirmado. Assunção Costa realçou a este jornal o papel que cada instituição deve ter no despertar religioso enquanto procura da verdade, seja qual for a religião em causa, porque a “abertura ao transcendente” é própria do ser humano e é parte importante da educação integral.
No encontro, José Pedro Costa falou do trabalho de despertar religioso no pré-escolar do Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa. O projeto baseia-se principalmente na mensagem bíblica e tem dados bons resultado, pelo que o SNEC pensa publicá-lo para que chegue a mais instituições.