Capacetes não garantem total proteção, revela estudo da UA

Fábio Fernandes e um dos capacetes testados
Fábio Fernandes
e um dos capacetes testados

Capacetes à venda não protegem de impactos quem vai apenas a 25 ou 30 quilómetros por hora. Estuda-se a alternativa da cortiça.

Fábio Fernandes, estudante de doutoramento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro (UA), constatou que as normas internacionais que regulamentam os capacetes não oferecem aos motociclistas uma proteção segura.
Para elaborar o seu estudo, Fábio Fernandes utilizou modelos aprovados pela ECE R22-05, a homologação adotada pela ONU e vigente em grande parte da Europa, pela DOT utilizada nos EUA e pela brasileira NBR 7471, tendo simulado impactos de acordo com as regras internacionais para permitir ou não a entrada no mercado dos capacetes, concluindo que estas estão desajustados com a realidade.
Traumatismos cranioencefálicos, perda da consciência, distúrbios na memória, cefaléias, náuseas, vómitos e disfunções visuais são algumas das consequências para os motociclistas que, a circularem apenas entre os 25 e os 30 quilómetros por hora (a velocidade imposta aos testes de qualidade pelas normas internacionais) tenham um acidente com impacto em capacetes certificados e, por isso, à venda em qualquer loja.
“As lesões previstas com grande probabilidade de ocorrência na minha análise foram concussões e lesões axonais difusas. Estas lesões foram previstas para impactos cuja velocidade de impacto do motociclista andaria entre os 25 e os 30 quilómetros por hora”, realça Fábio Fernandes que, no entanto, avisa que “impactos a velocidades muito superiores estão sempre a acontecer e os resultados podem ser devastadores”.
“Os capacetes atuais são capazes de passar nos testes das normas mas, na realidade, falham como meio de proteção”, pelo que, no dizer de Fábio Fernandes, os testes utilizados na certificação de capacetes não são os melhores, tal como “o critério de certificação utilizado nesses mesmos testes não é o correto”, pois os fabricantes de capacetes produzem os mesmos para “passar estas normas”.
Como alternativa aos materiais usados pelos capacetes, o Departamento de Engenharia Mecânica da UA está a estudar a cortiça. “Ao contrário do poliestireno expandido (EPS), que é atualmente o material mais utilizado como revestimento interno dos capacetes, a cortiça é um material natural, capaz de absorver grandes quantidades de energia”, explica o investigador.