
O Padre Manuel Ribau Lopes Lé, que paroquiou a Gafanha da Encarnação durante mais de meio século, a partir de 27 de outubro de 1957, foi homenageado no dia 30 de maio, naquela freguesia, com o descerramento de um busto, em granito, da autoria do escultor Eugénio Macedo, numa cerimónia em que intervieram os presidentes da Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação e da Câmara Municipal de Ílhavo, respetivamente Augusto Rocha e Fernando Caçoilo, e o pároco da Gafanha da Encarnação, Padre Francisco Melo.
O autarca da Gafanha da Encarnação recordou as igrejas que o Padre Lé construiu na freguesia, nomeadamente a da Costa Nova e a atual da Gafanha da Encarnação, que foi alvo de uma profunda remodelação em 2014. No final, pediu à equipa pastoral para se reunir um pequeno espólio documental para que possa ser exposto durante o verão.
Referindo-se ao Padre Lé, Fernando Caçoilo disse que “seguramente, foi um homem que marcou esta terra”, enaltecendo a população e a terra que consegue ter um gesto de gratidão para com um homem que marcou a história de uma terra e na qual viveu durante 52 anos.
Apesar de só ter contatado mais diretamente com o Padre Lé nos últimos anos em que este paroquiou a Gafanha da Encarnação, o autarca ilhavense realçou que ele parecia mais um filósofo do que um padre, pela personalidade que ele apresentava. “Era um engenhocas, era um homem que sabia de tudo”, e foi um homem que influenciou de tal modo várias gerações que “todas as famílias falavam no Padre Lé”, afirmou.
Sobre o busto, e tal como já havia sido referido por Augusto Rocha, também Fernando Caçoilo afirmou que “falta algum cabelo. Falta o cabelo à Einstein, que era a coisa que mais marcava o Padre Lé”, mas, em sua opinião, “mais importante é o símbolo desta imagem, e o que ela representa para a nossa terra”.
A terminar, Fernando Caçoilo sublinhou que “é bom ser presidente de um município que tem um povo que é capaz de agradecer aos homens e às mulheres importantes da sua terra. Não temos dúvidas que na história da Gafanha da Encarnação, este homem foi aquele que mais marcou todos nós”.
O Padre Francisco Melo considerou que o dia da comunidade da Gafanha da Encarnação era “um excelente dia para inaugurarmos este busto”, recordando que o Padre Lé morreu em maio e que ele também tinha uma grande devoção por Nossa Senhora. Por isso, no encerramento do mês de maio fazia sentido esse gesto de gratidão, a que se juntou também a gratidão a Nossa Senhora de Fátima do próprio Padre Francisco Melo por a paróquia ter conseguido pagar parte significativa da dívida contraída com as obras da renovação da igreja paroquial, dívida que agora está reduzida a cerca de 50.000 euros. Por tudo isso, e também por este gesto de gratidão, o Padre Francisco Melo não se coibiu de dizer que “é um orgulho ser pároco da Gafanha da Encarnação”.
A inauguração do busto do Padre Lé encerrou um dia marcado por diversas atividades, onde se destacou a celebração da missa e a realização de uma procissão que foi um misto da “procissão das velas” que tradicionalmente ocorre no encerramento do mês de maio, e de uma procissão de gratidão a Nossa Senhora.
Cardoso Ferreira
