D. António Moiteiro preside no próximo domingo, 12 de julho, pelas 16h, na Sé de Aveiro, à ordenação de João Santos e Pedro Barros. O Correio do Vouga pediu aos dois jovens, a poucos dias de receberem o sacramento da Ordem, que partilhassem sobre o trabalho nas comunidades paroquiais e a identidade presbiteral que vão assumir.

João Santos
Natural de Canedo (Santa Maria da Feira), 34 anos. Preside à Missa Nova no dia 13 de julho, às 19h, na Gafanha da Nazaré, e no dia 19, às 16h, na Igreja de Canedo.
Diácono nas paróquias da Gafanha da Nazaré, Encarnação e Carmo
Este foi o meu primeiro ano fora do ambiente do seminário e por isso marca uma transição no ritmo de vida, nomeadamente pelo esforço de me integrar em comunidades com ritmo de pastoral bem distintos do que vivemos no seminário. Se por um lado, a formação do seminário ajuda sustentar o ritmo da oração e fornece critérios teológicos para o discernimento, a integração em paróquias exige de nós um cuidado extra no que toca a organização. Compreendi que a agenda é um instrumento pastoral bastante importante, desde que bem usado, para evitar exageros.
Nas paróquias, deparamo-nos com a experiência cristã no decurso dos dias. Muitas vezes me lembrei das palavras da Carta a Diogneto: “Os cristãos vivem no mundo, mas não são do mundo”. Aspeto mais marcante do meu ano foram as áreas que me estiveram mais atribuídas, que passaram pela visita aos doentes do Centro Social Paroquial, onde nos deparamos com o limite da condição humana, onde tocamos a dor e o sofrimento, mas em que muitas vezes vi a força da esperança cristã, capaz de ver mais longe. É impossível não ver aquelas pessoas e não nos colocarmos no lugar delas, apesar de às vezes os nossos ritmos serem apressados. Outro dos meus trabalhos foi procurar acompanhar os grupos corais. Visitei os grupos, ainda que não tenha conseguido acompanhar todos como gostaria; mas acredito, que o cuidado da liturgia, como escola da fé, seja uma das áreas que interiormente me ocupam, algo que também se notou com o esforço de formação com os acólitos. Outra das áreas a que me dediquei foi a visita aos grupos de catequese. Vi muitas formas de ser catequista; de facto, o cuidado com o anúncio da Palavra de Deus foi para mim fator de discernimento. Acredito que muito do que será a Igreja passa pela revitalização da catequese, com especial cuidado da iniciação à oração cristã e a consciência de que cada vida é uma vocação. A par desta missão esteve o acompanhamento dos escuteiros da Gafanha da Nazaré e do Carmo, tendo eu ficado vinculado a este último agrupamento. O escutismo é uma escola de carácter e de educação integral do jovem; o facto de o assistente (ou de o adjunto do assistente, como no meu caso) estar presente é marcante para o desenvolvimento espiritual, pois este é o eixo central da pessoa humana.
Ser padre
Os documentos do Concílio Vaticano II – “Optatem totius” e “Presbyterorum ordinis” – assim como a “Pastores dabo vobis”, centraram o perfil do padre na caridade pastoral, na entrega de si ao serviço do Povo de Deus, à imagem de Cristo bom pastor. Como padres acompanhamos as pessoas nas suas mais ordinárias facetas da vida, mas também nos momentos mais especiais da Sua vida, sejam de maior alegria, como o batismo de uma criança ou um casamento, seja no termo da sua vida na terra, na morte. No meio disto, acredito que o caminho de Jesus Cristo se constitui como o pleno caminho de resposta que a pessoa humana se pode entregar. Como padre, tenho a missão de ser testemunha e anunciador deste sentido.
Pedro Barros
Natural de Santa Joana, 29 anos, presidirá à Missa Nova no dia 19 de julho, às 16h, na Igreja de Santa Joana
Diácono na paróquia de Aradas
Na paróquia de S. Pedro de Aradas, neste último ano, tem sido um ano para estar, conhecer e aprofundar, sofrer e crescer.
Estar, porque sinto que isso é fundamental numa comunidade na qual fui indicado para servir. Depois, foi sempre uma palavra que me foi sendo lançada em tempos de seminário, naquilo que a comunidade espera de mim. Procurei estar nos momentos importantes e menos importantes, procurando, juntamente com o pároco, servir o que melhor podia na medida das minhas capacidades e nas pequenas “missões” que me foram desafiando na comunidade.
Conhecer e aprofundar, porque continua sempre a ser nova a realidade da comunidade, no sentido de que há tanto para aprender, para conhecer, porque isso depende da forma como escutamos. Tem sido uma aprendizagem o escutar, entre tantas pessoas e famílias, crianças e jovens, com histórias tão diferentes, mas que nas suas vidas, têm marcas que não me deixam indiferente.
Senti isso, especialmente, pela formação cristã de adultos (onde alguns se preparavam para o Sacramento do Crisma), em que as pessoas buscam sentido para a sua vida, procurando abrir-se, serem compreendidas, escutadas, e acima de tudo, precisam de alguém que lhes aponte “que é possível Amar Jesus e decidir-se por Ele” e de onde vem este “Amor”. É urgente, para mim, que descubram na Igreja um rosto maternal, no pastor um rosto de misericórdia, no cristão um rosto de caridade.
Creio que muitas vezes fui ingrato perante tanto amor que as pessoas me dão, em gestos simples, e sinto a urgência de lhes dar a conhecer esse “Amor encarnado”, que completa a vida de cada um, que é uma vida de eterna felicidade.
Um outro espaço em que fui vivendo paroquialmente, foi no acompanhamento dos adolescentes e dos jovens. Os jovens andam sedentos de testemunhos de felicidade. A paróquia deve expressar isso, a diocese deve viver isso. Nesse sentido, na comunidade paroquial, procurou-se abrir portas e mentalidades: levar os jovens a sair da paróquia, para saborearem a vida diocesana e arciprestal, nas diferentes atividades que foram acontecendo ao longo do ano. Isto passa pelo cativar, mas com sentido, com e por Cristo.
Ainda colaborei na catequese da adolescência, acompanhando o 8.º ano de catequese com a catequista Teresa Ribeiro; assim como os acólitos. Fui auxiliando ainda no lugar da Quinta do Picado, na Eucaristia das 9h00, o coro desse lugar. Entre outras coisas que fui fazendo… mas mais de carácter organizativo da paróquia…. O que não tive enquanto diácono foram casamentos, batismos… mas tive alguns funerais.
Ser padre
Para mim, a identidade presbiteral, consiste naquilo que S. João Maria Vianney dizia: “O sacerdócio é o amor do coração de Jesus”; e que reforçava: “Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus.”
Logo, isto é para mim o centro da vida de um presbítero: o amor a Jesus Cristo, sempre; o serviço/missão de pastor centrado n’Aquele que o seduziu – Deus. E claro, ser presbítero é para mim “dar a vida”, “é dar-se sem medos, mas confiado no Senhor” para que outros O conheçam e saibam que n’Ele serão felizes.
