Bodas de ouro sacerdotais dos padres Manuel Armando e Adérito Abrantes

Os padres Manuel Armando, pároco de Aguada de Baixo e de Avelãs de Caminho, e Adérito Abrantes, pároco de Santa Joana, completam no sábado, 25 de julho, 50 anos de ordenação presbiteral. Em Aguada de Baixo, onde um é pároco e de onde o outro é natural, o Bispo de Aveiro preside à Eucaristia de ação de graças, na próxima sexta-feira, 24, às 19h30.

 

 

Padre Manuel Armando

 

O padre Manuel Armando Rodrigues Marques (Vale Maior, 6 de outubro de 1941) assinala os seus 50 anos de padre com celebrações litúrgicas e com o lançamento de mais um livro, o sexto. “Poderia celebrar os 50 anos com grandes discursos e, sei lá, com quantas coisas mais. Todavia, olhando para trás, reparo que a grandeza de Deus, manifestada no sacerdócio a que me chamou, tem de ser cantada na simplicidade. A humildade e a gratidão deverão ser a única escrita da partitura”, afirma ao Correio do Vouga, sobre o livro que tem por título “Somos o poema de Deus”.
Porquê este título? “Quando contemplamos a pessoa que somos e o mundo com as coisas belas que ele comporta, descobrimos que Deus sentiu alegria por quanto fez. Ele cantou-nos. Ele escreveu-nos para ficarmos por debaixo das notas da pauta, como uma mensagem alegre de Salvação. Organizou um diálogo a três – Ele, a Natureza e nós. Compomos, assim, um hino de louvor e gratidão ao Criador e à vida, pelos benefícios que nos são dados a usufruir nas tarefas e missão de todos os dias. Esta forma simples de ver as coisas e não desperdiçá-las é o fundo deste meu livro”.
O livro será apresentado no dia 25 de julho, às 15h00, no Salão da Junta de freguesia de Aguada de Baixo, como conta o autor: “O ambiente pretende-se que seja de festa. A apresentação está a cargo de D. António Moiteiro. Depois, atuará o Orfeão do Paraíso Social, de Aguada de Baixo, o Grupo de Cantares, de Avelãs de Caminho, vários elementos do Clube dos Fenianos, do Porto, com a sua arte da magia e o Padre Luís Vieira, das Missões da Boa Nova, de Cucujães, com as suas canções. É um programa recheado de muita abertura e alegria”. A primeira apresentação, contudo, já aconteceu no dia 19 de julho, em Vale Maior, terra natal do padre que também é conhecido pelos seus dotes de magia e de hipnotismo.
O P.e Manuel Armando vive estes 50 anos de sacerdócio ministerial com “gratidão a Jesus Cristo”. É “tempo de balanço sobre a missão, a obrigação e o desempenho. Pedido de perdão a Deus e às comunidades, nas quais passei, pelas minhas deficiências e recobrar forças para o que me restará como segredo escondido no coração do Senhor”, refere.
Com padre, Manuel Armando foi coadjutor na Gafanha da Nazaré de 1965 a 1966, coadjutor em Águeda de 1966 a 1970, acumulando a paroquialidade de Castanheira do Vouga, e pároco de Cacia de 1970 a 1990. Desde há 25 anos é pároco de Aguada de Baixo (Águeda) e Avelãs de Caminho (Anadia).

 

 

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Padre Adérito Abrantes

 

Uma Missa «normal» e um jantar com a minha família” – era assim que o padre Adérito Rodrigues Abrantes (Aguada de Baixo, 7 de setembro de 1941) queria passar o jubileu dos 50 anos de ordenação. Mas foi surpreendido por uma comissão que quis uma festa maior, com Missa solene, no dia 25, às 19h, em Santa Joana, presidida pelo Bispo de Aveiro, e um jantar no Solar das Estátuas. “Senti-me ultrapassado e até angustiado, porque queria passar um dia simples, despercebido”, disse ao Correio do Vouga. Por isso pôs algumas condições: nada de discursos e que todos possam participar, mesmo quem não tem recursos.
O P.e Adérito reconhece, por outro lado, que a sua família são, também, os paroquianos de Santa Joana. Como líder da comunidade cristã, é mais velho do que a própria paróquia. Ordenado em 1965, com Manuel Armando (ver texto ao lado) e João Mónica e Carlos Belo (já falecidos), esteve dois anos da Branca, com o P.e Conde, e está em Santa Joana desde 1967, tendo visto surgir a reitoria (paróquia experimental) em 1969 e colaborado decisivamente para a instituição da paróquia, em 1976.
“Sente-se o grande obreiro da paróquia de Santa Joana?”, perguntamos-lhe. “Tire o «grande». Fui colaborador com muitos outros colaboradores. Foi o povo que comprou os terrenos e construiu a Igreja e a casa paroquial” e outras estruturas da paróquia. Refira-se que Santa Joana foi constituída a partir de territórios da Glória, Vera Cruz e Esgueira. “Nos primeiros anos, os lugares não se davam. Tinha de fazer tudo em duplicado, encontros de catequistas, celebrações… Com o tempo, fomos construindo a unidade paroquial”. Hoje, o pároco olha com gosto para a sua comunidade, muito dinâmica na catequese, nos coros, na juventude, no escutismo.
Por estes dias, o P.e Adérito teve uma alegria especial: a ordenação do jovem Pedro Barros, que presidiu à Missa Nova em Santa Joana no dia 19 de julho. Outros dois foram ordenados desde que está em Santa Joana: P.e Fernando Pinto (faleceu em 2013) e P.e Silvério Silva Rebelo (para a diocese de Setúbal).
O P.e Adérito considera a disponibilidade para os outros como a qualidade essencial do padre. “Antes de dizer sim ou não, coloco-me sempre no lugar da outra pessoa. Não me considero nenhum modelo, mas a palavra que mais me custa pronunciar é a palavra «não». Se algum dia tenho de dizer um «não», fico mal comigo próprio”. Foi este não gostar de dizer «não» que quebrou a resistência ao contacto do Correio do Vouga, mesmo que modesto, e, afinal, ao reconhecimento paroquial no próximo sábado.