Entrevista a Arménio Rego, professor universitário, autor de “Papa Francisco – Lições de Liderança”.
CORREIO DO VOUGA – Durante a investigação sobre o percurso de Bergoglio, que culminou no livro “Lições de liderança”, que descoberta o surpreendeu mais?
ARMÉNIO REGO – Surpreenderam-me vários aspetos. Em primeiro lugar, a contestação de que Bergoglio foi alvo. Segundo: a mudança interior que Bergoglio realizou ao longo dos anos e a sua capacidade para assumir os seus próprios erros. Terceiro: a sua humildade e a sua capacidade de aprendizagem permanente. Bergoglio, agora Papa Francisco, é uma personalidade ímpar, com os pés assentes na terra, ansioso pela compreensão das realidades das vidas das pessoas, e corajoso para lutar contra adversidades e em prol de uma vida melhor para os mais desfavorecidos. Combina, com extraordinária inteligência, a sua orientação para o transcendente com o seu foco nas vidas reais e concretas. É, também, um animal político – no sentido de que é capaz de exercer o poder para alcançar os fins a que se propõe.
Qual a principal marca distintiva do Papa Francisco, em relação a outros líderes religiosos e políticos?
Há nele uma enorme autenticidade, uma simpatia natural, uma capacidade de empatia ímpar. Revela alegria e felicidade no exercício do seu papel. A essas qualidades junta-se uma mundividência que o capacita para estabelecer pontes entre pessoas e instituições muito distintas. Dá mostras de estar realmente interessado em resolver problemas e melhorar a vida das pessoas. As diferenças não o impedem de se aproximar de todos – qualquer que seja o credo religioso, a orientação política, ou a opção de vida pessoal.
Na vida quotidiana de uma “pessoa comum”, de que forma pode ser seguido com proveito o exemplo de Francisco?
Primeira lição: somos mais felizes quando a nossa vida tem sentido e significado, ou seja, quando realizemos algo em prol de uma causa nobre. Segunda: a humildade é um capital importante para aprendermos, não apenas com os nossos erros, mas também com os que são diferentes de nós. Terceira: há sempre tempo para mudar. Quarta: a família exerce um papel importante nas nossas vidas. Quinta: a discordância não é desrespeito, e o respeito não implica concordância.
A.R.P.

