
Empresário
Pais, alunos e professores desfilaram em Lisboa, desde o Parque Eduardo VII e concentraram-se à porta do Parlamento para protestar contra os cortes nos contratos de associação. “Pedimos que o Estado veja a realidade”, clamaram os manifestantes.
Porque esta questão também diz respeito às escolas católicas foi a manifestação apoiada pela Conferência Episcopal Portuguesa. E muito bem, em nosso entender, porque a Igreja é sociedade e tem grandes responsabilidades na educação para os valores, pelo que os nossos Bispos têm de dar voz ao povo de Deus. São Pastores (não meros administradores), que tem de lutar pelo rebanho até ao limite.
Não se esperaria uma afirmação tão forte de cidadania e de protesto para defender direitos adquiridos.
Mas os ventos estalinistas e estatizantes, provenientes dos defensores de uma única escola – a pública, não se fizeram esperar e, pela voz da nomenklatura sindical – leia-se Mário Nogueira e Arménio Carlos, o que prova bem a origem desta guerra empreendida pelo ministro da Educação, vieram imediatamente a público anunciar uma contra manifestação. Querem luta, querem guerra, querem o poder na rua, como dantes. Porque o governo está a voltar ao dantes.
Mais quatro dias feriados e menos 5 horas de trabalho por semana na função pública são um benefício e não agravam o défice.
Vejamos: 4 dias vezes 8 horas são 32 horas a menos num ano que, multiplicadas por 3.710.000 trabalhadores ativos, dá a bonita soma de 118 milhões horas anuais a menos. Sim, não custam nada ao Estado, mas custam às empresas que têm de os pagar aos seus colaboradores e que se não traduzem em trabalho produtivo. Aliás, o Estado também tem de pagar aos seus servidores, mas vai buscar o que precisa ao bolso dos cidadãos.
E as 5 horas por semana, vezes 48 semanas (ano de trabalho), multiplicadas por 600.000 funcionários públicos (número aproximado), dá o total de 144 milhões de horas não trabalhadas, que o Estado tem de pagar. E como vai o governo resolver, para compensar estas horas não trabalhadas, nas funções onde forem necessárias mais horas? Pagar trabalho extraordinário e buscar ao bolso dos cidadãos mais impostos para o aumento desta despesa.
Como o Primeiro Ministro diz que a redução para 35 horas não aumenta a despesa estamos perante um dos milagres que se propõe realizar.
Como o aumento dos feriados reduz a produtividade das empresas, aumenta o custo de produção, diminui a competitividade da economia e as exportações e aumentando o défoce, que o governo cobrirá indo, mais uma vez, ao bolso dos cidadãos buscar receita. O milagre do défice não aumentar explica-se pela multiplicação dos impostos …diretos e indiretos.
Mas há uma manobra financeira (???) do governo que ainda não percebi: quer fechar as escolas privadas com contrato de associação – diz que para poupar mais de 100 milhões!
Com tanta facilidade para cobrir as despesas a partir do bolso dos contribuintes haverá, certamente, outras motivações – eliminar o ensino de valores, em benefício de uma escola sem eles.
Afinal que fez o governo nestes seis meses à frente dos destinos de Portugal? Desfazer o que foi feito antes, com ações demagógicas e populistas: mais feriados, menos horas de trabalho, resgate de empresas públicas para oferecer palco aos sindicatos; reposição de salários e pensões, tudo gestos nobres e lucrativos… Em votos.
Mais rendimento, mais crescimento, melhor economia, mais emprego, promessas socialistas de caminho novo livre de todas as austeridades.
Mas a situação entupiu e saiu tudo diferente: menos crescimento, mais desemprego, mais impostos!
Tudo mal encaminhado para os cidadãos, mas acompanhado do sorriso irritante do primeiro ministro, a presidir à festa, levando na procissão as irmandades radicais, alinhadas e aprumadas, com pendão e seus juízes à frente.
As bandeiras que abrem o cortejo são os temas de futuro do país, que em conjunto fazem aprovar no Parlamento e que hão de colocar Portugal na liderança das conquistas sociais e revolucionárias: barrigas de aluguer, adoção gay, eutanásia, etc., etc. Afinal o governo presentear-nos-á com outro milagre: Portugal na última fila dos países pobres da União Europeia, culturalmente atrasados, mas na primeira dos países ricos, em contravalores, em desestruturação familiar e social.
Mas será um milagre, porque continuaremos cantando e rindo, levados por esta governação deslizante, que nos levará em festa, sem solavancos, equilibrados no fio da navalha, até aterrarmos, de novo, num fundo, ao som das vozes harmoniosas e trinadas das vozes arautos do BE e da música do gasto CD das conquistas revolucionárias do PC.
E, por milagre, seremos de novo resgatados!
Acreditem, a procissão ainda só vai no adro!
