Gerar sujeitos num ambiente que nos quer objetos

A BELEZA DESARMADA
Julián Carron
Lucerna
304 páginas
15,85 euros

 

Julián Carrón, espanhol, ordenado padre em 1975, é o presidente da Fraternidade Comunhão e Libertação (CL) desde 2005. O fundador do CL, Luigi Giussani (1922-2005), escolheu-o em 2004 para com ele dividir a responsabilidade da condução do movimento.
O livro que se apresenta neste artigo resulta de uma recolha de textos que Julián Carrón escreveu ao longo de uma década à frente do CL. Nascidos em diferentes ocasiões, foram amplamente reelaborados e ordenados pelo seu autor com o objetivo de apresentar de forma orgânica os aspetos mais relevantes da proposta cristã em confronto com as dificuldades e urgências do homem contemporâneo.
Os temas são atuais e pertinentes. Vejamos alguns exemplos dos 17 textos que este livro recolhe e reordena.

Julián Carrón
Julián Carrón

Em “É possível um novo início?” é também a questão da Europa, enquanto espaço de liberdade para o encontro entre aqueles que buscam a verdade, que está em causa.
Em “No colapso das evidências”, procura-se um “olhar verdadeiro sobre o real”, não o real dos intelectuais e ideólogos, mas o do jovem no comboio, o do estudante do fim do liceu, o real da pessoa comum, para responder à frase de Chesterton: “O problema dos nossos sábios não é que não sejam capazes de encontrar respostas; é não serem capazes de ver o enigma”. Mas “Cristo veio para despertar a nossa capacidade de conhecer o real”.
Em “O desafio do verdadeiro diálogo depois dos atentados de Paris”, escrito um mês depois do ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo (7 de janeiro de 2015), fala-se da liberdade para o acesso à verdade e do encontro real de propostas de significado, “ainda que diferentes e múltiplas”.
Em “Uma comunicação de si” está em foco a “emergência educativa”, ou seja, a educação dada pelos professores, no meio do desafio do relativismo, que tudo descarta, e da dificuldade em despertar o interesse de alunos. Para o educador cristão, não se trata apenas de ensinar, mas de “tornar presente uma atração vencedora, à qual, antes de mais, temos nós que ceder”. Trata-se de “gerar um sujeito” – e este gerar sujeitos, protagonistas e não objetos, é sem dúvida uma pretensão presente em todas as páginas deste livro.