Bispo de Aveiro pede aos cristãos que assumam a mensagem da misericórdia

As obras de misericórdia são uma exigência do ser cristão, exortou D. António Moiteiro
As obras de misericórdia são uma exigência do ser cristão, exortou D. António Moiteiro

No encerramento diocesano do ano jubilar, D. António Monteiro apontou “três dimensões
que devem estar presentes na vida de cada cristão ou comunidade”.

 

“A mensagem da misericórdia não pode ser uma teoria alheia ao mundo em que vivemos, mas sim um compromisso para a Igreja e para cada um de nós”, afirmou o Bispo de Aveiro na Missa de encerramento do Jubileu da Misericórdia, no domingo, 20 de novembro.
D. António Moiteiro convidou os cristãos que enchiam por completo a Sé de Aveiro, na Missa das 19h, a interrogarem-se sobre as consequências da mensagem da misericórdia divina na vida do cristão e da Igreja e sobre o contributo que são chamados a dar para a “transformação deste mundo, a fim de ser mais justo e mais misericordioso”. Concretizando, apontou “três dimensões que devem estar presentes na vida de cada cristão ou comunidade”: o amor como principal mandamento cristão; o mandamento do amor aos inimigos; e as obras de misericórdia como exigência do ser cristão.
Sobre o mandamento do amor, realçou que “não existe amor a Deus sem amor ao próximo; juntos são a encarnação da existência cristã”. “O amor ao próximo, na radicalidade com que Jesus o apresenta, é impossível sem a força que brota do amor a Deus”, afirmou. Por outro lado, o amor aos inimigos é o sinal que mais identifica os cristãos como discípulos de Jesus, sendo talvez, “de um ponto de vista meramente humano, a exigência mais difícil de Jesus”. Por último, referiu a prática das obras de misericórdia, que “transcende a simples justiça ou a mera assistência social”, pois implica ultrapassar a “dureza do coração em ordem à conversão da mente e das ações”.

Pobres e pobreza
D. António Moiteiro alertou para a questão da pobreza, que aparece sob quatro formas na “simples enumeração das obras de misericórdia”. São elas a pobreza física ou económica (não ter casa, passar fome ou sede e não ter a roupa necessária para viver com dignidade; desemprego, falta de assistência médica), a pobreza cultural (do analfabetismo à exclusão da vida social e cultural), a pobreza relacional (solidão, a marginalização, refugiados…) e a pobreza espiritual (“uma constante nas sociedades ocidentais”; “desorientação, vazio interior, falta de esperança, confusão moral e espiritual e a própria negação de si próprio”). Todas elas exigem a ação do cristão, porque “a misericórdia consiste em encontrar-se com Jesus na pessoa do pobre – daí não ser apenas uma questão moral, mas de fé em Cristo, do seu seguimento e do encontro com Ele”, afirmou. “No final da vida, seremos julgados pelo Amor”, disse D. António Moiteiro antes de concluir com a oração de Santa Faustina, a religiosa polaca que muito contribuiu para a invocação de “Jesus misericordioso” (ver oração ao lado).
A celebração terminou com o Bispo de Aveiro a encerrar a “porta santa”, que durante todo o Ano da Misericórdia esteve enfeitada com flores para significar a alegria de Deus que perdoa e o consolo e esperança de quem a atravessou à procura da amizade de Deus. A assembleia saiu mesmo pelas portas laterais.

J.P.F.

 

Ajuda-me, Senhor

Ajuda-me, Senhor, a que os meus olhos sejam misericordiosos, para que não julgue pelas aparências, mas procure o que é belo no coração do próximo e assim o possa ajudar.
Ajuda-me, Senhor, a que a minha língua seja misericordiosa, para que não fale mal do próximo, mas tenha sempre uma palavra de consolação e de perdão para todos.
Ajuda-me, Senhor, a que as minhas mãos sejam misericordiosas e estejam cheias de boas obras, para que saiba fazer o bem e carregue sobre mim as tarefas mais difíceis e penosas.
Ajuda-me, Senhor, a que os meus pés sejam misericordiosos, para que me apresse a socorrer o próximo, vencendo a minha própria fadiga e cansaço.
Ajuda-me, Senhor, a que o meu coração seja misericordioso, para que eu sinta todos os sofrimentos do próximo e que a tua misericórdia, Senhor, repouse sobre mim.

Oração de Santa Faustina,
em 1937, proferida pelo Bispo de Aveiro no encerramento do ano jubilar