Quem beber dessa água tornará a ter sede

Poço de Jacob – 6 A linguagem, na vida espiritual, pode prestar-se a equívocos, pois falamos por comparações e analogias. Jesus diz muitas vezes que “quem bebe do Seu Sangue… quem bebe dessa água… não voltará a ter sede…” E os interesseiros vão em busca desse negócio, como os que O procuravam por Ele dar pão a comer quando se deu a multiplicação. Ele dará pão em abundância, saciará as multidões, em terra onde corre leite e mel, pastagens verdejantes e águas cristalinas. E as pessoas vão, esperando ser saciadas. Mas surge a desilusão. Afinal tenho de pedir, todos os dias, o PÃO NOSSO, como na oração que Ele nos ensinou e, por vezes, parece que não me ouve, por não me curar, não me dar emprego nem me deixar ganhar no euromilhões.

Continuo tendo fome e sede de tanta coisa. Afinal, esse Deus promete, mas não cumpre. Onde está a verdade do “Vinde a Mim e Eu vos aliviarei”? Tenho de trabalhar arduamente e a cruz está colada a mim. Luto. Sinto-me cansado e tão só…

A verdade é que, na vida espiritual, o verdadeiro prazer não está em se sentir saciado. Isso será um aspecto, se assim se pode dizer, do Céu. O grande prazer da vida espiritual é buscar sem nunca se sentir saciado. É beber sem nunca perder a sede. É comer sem deixar de ter fome. Buscar é melhor que encontrar. Deus, quanto mais se quer mostrar, mais Se esconde. Leiamos os santos e vejamos que há somente uma categoria de homens que só se contentam se ficam saciados: os que tem o ventre por deus, como diz S Paulo. A alegria do cientista, do filósofo e do artista não está em chegar a conclusões, mas em saber que cada passo introduz um novo processo de descobrimento. Nunca se sentem com obra acabada. A obra vai-se moldando conforme se avança. Por isso, pedimos a Deus que acabe em nós a obra boa. Mas que nunca pensemos que já O possuímos todo. No dia em que não sentirmos novidade na nossa vida, estaremos realmente mortos e… condenados. Não tenhamos ilusões, a Samaritana foi muitas mais vezes ao poço de Jacob tirar água depois de ter conhecido Jesus…

P.e Víctor Espadilha