As pessoas têm razão para ficarem assustadas. A par com a denodada dedicação de tantos profissionais de saúde em ordem a tudo fazer para salvar vidas humanas, no encalço de diagnósticos precisos que permitam encontrar soluções, às vezes verdadeiros milagres, confrontamo-nos cada dia com casos que nos deixam arrepiados.
Sabemos que, há vinte e três anos, os meios auxiliares de dia-gnóstico não tinham alcançado a qualidade dos de hoje. Mas custa admitir que alguém tenha padecido o horror de ouvir, ver e sentir tudo o que se passa à sua volta e permanecer ali dado como em coma. E mais do que isso, o médico responsável por descobrir o erro afirmar que 4.º por cento dos declarados em vida vegetativa são mal diagnosticados.
A medicina cresce e desenvolve-se para obviar, preventivamente, à qualidade de vida e, curativamente, para proporcionar a recuperação da saúde ou mitigar os efeitos da doença, ajudando a alcançar dignamente o fim natural da vida.
Diante destas situações, ficamos perplexos. Como o ficamos também quando, ante um quadro em que se multiplicam os casos assinalados de mortes de fetos após vacinação contra a estirpe de gripe que avança, a Agência Europeia do Medicamento encerra os processos de investigação da morte fetal, porque não encontra relação causa e efeito. Não será prematuro concluir dessa forma simplista?
Estamos entregues a quem? Onde está a autoridade que garanta que tudo se faz para considerar a vida como um valor inestimável, pelo qual nos batemos até ao último instante? Não é o direito à vida, mesmo no seio materno ou no leito de um hospital, um direito primordial?
É incontestável o progresso da ciência e da técnica que lhe faculta as mais audazes aplicações. E só temos que nos regozijar por isso. Mas precisamos de quem nos garanta a humanidade na sua aplicação, regra fundamental para que as mesmas, isto é, a ciência e a técnica, estejam do lado da pessoa humana e não contra ela.
