Aveiro no colo de Maria

Peregrinações Diocesanas a Fátima Restaurada a Diocese de Aveiro em 11 de Dezembro de 1938, o arcebispo-bispo de Aveiro, D. João Evangelista de Lima Vidal, começou a fomentar uma actividade pastoral englobante, em ordem à unificação dos diversos arciprestados; para isso, promoveu a inadiável construção do Seminário de Santa Joana, realizou cinco congressos eucarísticos, visitou todas as paróquias, fez-se alma aberta no acolhimento a todos os que o procurassem, sem distinguir ninguém. Os cortejos de oferendas para o Seminário, as concen-trações litúrgicas junto ao túmulo de Santa Joana e as peregrinações marianas aos santuários na Diocese e ao santuário de Fátima – tudo serviu para criar nas populações uma consciência diocesana. Na altura em que preparamos mais uma peregrinação diocesana a Fátima, vou recordar brevemente as seis anteriores; talvez esta memória nos estimule a vivermos um momento alto da nossa devoção mariana.

1) – Em 1940, sofriam-se os horrores da segunda guerra mundial, depois dos morticínios da guerra civil em Espanha. Surgira naturalmente uma campanha de oração a favor da paz. Aveiro não poderia ficar insensível e alheia a tal movimento. Neste sentido, foi organizada uma peregrinação a Fátima, marcada para os dias 9 e 10 de Novembro; apesar das dificuldades das estradas e dos caminhos de então, ainda se juntaram três autocarros e alguns automóveis de peregrinos.

2) – Atendendo ao pedido de Nossa Senhora em 1917, na Cova da Iria, e vivendo-se o ambiente bélico que, não abrandando, mais recrudescia, irrompeu um movimento devocional em ordem à consagração das comunidades e das pessoas ao Imaculado Coração de Maria. Por diversas vezes e de várias proveniências, rogava-se mesmo ao papa Pio XII que também consagrasse o Mundo e a Rússia – o que ele apenas viria a concretizar em 31 de Outubro de 1942, no final de uma mensagem para Fátima. Encontra-se enquadrada neste ambiente a nossa peregrinação de 16 e 17 de Junho de 1941, que teve a participação de muitas centenas de pessoas, transportadas em trinta e um autocarros e muitos automóveis. No termo do programa, vivido com fé e sacrifício, o arcebispo-bispo de Aveiro fez a consagração da Diocese, diante da imagem da Virgem Maria. Semelhante consagração seria feita em todas as paróquias, no dia 10 de Outubro de 1943.

3) – Entretanto, na Europa, em Maio de 1945, havia terminado a segunda guerra mundial. A peregrinação de Aveiro, realizada em 29 e 30 de Outubro, teve como finalidade o agradecimento a Deus, por mediação da Virgem Maria, pelo desfecho final de tão grande e demorado pesadelo, a que Portugal fora poupado, embora sofrendo algumas das suas consequências. A concentração agrupou, no mesmo espírito, muitas centenas de pessoas de todos os arciprestados, além de diversas autoridades civis.

4) – Passados menos de três anos, precisamente em 24 e 25 de Abril de 1948, no décimo aniversário da Diocese de Aveiro, uma nova peregrinação juntou no Santuário de Fátima mais de quinhentas pessoas. Tais iniciativas iam sendo habituais, mesmo para se estreitarem os laços fraternos da comunidade aveirense, no aspecto religioso.

5) – Em Setembro-Outubro de 1950, por iniciativa dos párocos de Oiã, Palhaça, Bustos e Troviscal, efectuou-se por todos os lugares destas freguesias a “peregrinação” de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que teve a aderência extraordinária das populações. Isto levou os responsáveis da Diocese a promoveram idêntico programa devocional por todas as paróquias, com a demora de um dia em cada uma, de 13 de Abril a 8 de Junho de 1951. Como acto inicial, marcou-se uma peregrinação a Fátima para os dias 12 e 13 de Abril, a que anuíram muitas centenas de pessoas; no final, foi benzida a respectiva imagem. No cortejo que a conduziu até nós, com ovações marianas pelo caminho, participaram dezenas de autocarros e de automóveis.

Mais tarde, de 29 de Setembro de 1957 a 12 de Julho de 1959, para preparar a celebração das bodas de ouro episcopais de D. João Evange-lista e do milenário da cidade de Aveiro, realizou-se idêntica “peregrinação” da mesma imagem por todas as paróquias, mas então com a demora de uma semana. No último dia, no estádio municipal de Mário Duarte, com milhares de participantes, entre os quais se contaram as autoridades distritais, académicas, judiciais e municipais, foi celebrada a Eucaristia, tudo terminando com uma grandiosa apoteose.

6) – Finalmente, em 4 de Junho de 1967, no ano comemorativo do quinquagésimo aniversário das aparições, teve lugar uma nova peregrinação a Fátima, que agrupou uma multidão de aveirenses, computada em cerca de vinte e cinco mil pessoas, que se fizeram transportar em centenas de autocarros e em centenas de automóveis, provenientes de todas as paróquias. Era bispo de Aveiro D. Manuel de Almeida Trindade. Em Maio anterior, estivera no Santuário o papa Paulo VI.

Termino estes apontamentos dizendo que não desejaria que eles fossem apenas uma mera recordação de coisas passadas, mas que também servissem para vivermos, com fé em Deus e amor à Virgem Maria, a nossa próxima peregrinação diocesana, efectuada no Ano da Eucaristia.