A Igreja, por princípio, tem consciência da fragilidade daqueles que a constituem, revestidos da dignidade de filhos de Deus, mas também descendentes das fraquezas de Adão. Como também tem a certeza da força divina que a gera e constantemente a dinamiza: o fiel amor do Pai, visível no rosto do Filho, que o Espírito comunica.
Fundamental é que estas convicções se tornem operativas. A primeira, pela humildade explícita, pelo cuidado atento às exigências do itinerário cristão, pela constante preocupação com a correcção fraterna, pelo esmero na formação dos servidores “qualificados”, pela transparência nas relações hierárquicas…
A segunda, pela confiança na Palavra, pela envolvência da vida pessoal e comunitária no espírito da intimidade divina, pela clareza da doutrina e suas consequências morais, pela firmeza do serviço ao Evangelho, pela mesa da Graça servida com elevação e simplicidade, pela proximidade do Mundo sem se deixar guiar pelos seus critérios…
Não podemos descartar a firme convicção de que está aberta uma guerra por parte do laicismo, tentando, por todos os modos, atingir o cerne da novidade que é Jesus Cristo, a Sua Mensagem, a Sua Igreja. Em anos anteriores – e sempre nas proximidades da Páscoa! – se mediatizaram publicações, “descobertas”…, a questionarem a autenticidade dos fundamentos do Cristianismo.
Concordamos, sem reservas, com Marcello Pera: “…abatido o cristianismo, permanecerá o multiculturalismo, que acredita que cada grupo tem direito à sua cultura. O relativismo, que acredita que cada cultura é tão boa como qualquer outra. O pacifismo, que nega que o mal existe”. Um baluarte, que seja referência crítica de verdade para todas estas posições, é um alvo apetecível!
Mas esta é a nossa Páscoa! Reconhecer as debilidades e permanecer firmes na certeza da fidelidade, da verdade e do triunfo daquele que assumiu essas nossas debilidades, para as superar deixando-se erguer na Cruz, sepultar no silêncio de um túmulo escavado na rocha e acolher a elevação à glória, a Ressurreição!
Desde o princípio, com o Mestre e com os primeiros obreiros da Igreja, as hostilidades se tornaram o pão quotidiano da missão! A clareza do testemunho, a resistência aos desvios, o apego aos pilares da edificação cristã – ensino dos apóstolos, fracção do pão, oração, vida fraterna – foram os caminhos de superação das dificuldades, as credenciais da afirmação do Evangelho. Urge bebermos desta pureza original, para assumir a nossa páscoa, uma vez que o discípulo não é mais do que o Mestre.
