À LUZ DA PALAVRA – IV Domingo do Advento – Ano B A liturgia deste domingo aproxima-nos da encarnação de Jesus, o Messias, há tanto tempo anunciado e desejado. Ao longo de séculos incontáveis, muitos homens e mulheres viveram na esperança de se encontrar com o seu Deus, na pessoa deste Filho, feito carne no ventre da Virgem Maria. Nele, todos nós podemos contemplar o Filho de Deus, que nos vem oferecer a salvação.
Na primeira leitura, o Senhor anuncia, pela boca do profeta Natã, que Deus nunca abandonará o seu Povo, nem desistirá de o conduzir ao encontro da felicidade e da realização plenas. A “promessa” de Deus irá concretizar-se num “filho” de David, através do qual Deus oferecerá ao seu Povo a estabilidade e a paz. Nestes dias que antecedem o Natal, somos convidados a tomar consciência de que este “filho” de David se concretiza em Jesus. Ele é esse “rei”, que Deus enviou ao nosso encontro para nos apontar o caminho para o reino da justiça, da paz, do amor. Mergulhados numa cultura que aposta em destruir a ideia de Deus ou, pelo menos, em torná-lo numa figura apagada, é importante para nós, crentes, avivarmos a certeza que a Palavra de Deus hoje nos deixa: o nosso Deus preside à história humana, vem continuamente ao nosso encontro, faz connosco uma Aliança de Amor e aponta-nos o caminho para a verdadeira vida.
A segunda leitura insiste na mensagem fundamental da primeira leitura: Deus tem um plano de salvação para nos oferecer, o “mistério encoberto desde os tempos eternos”, como refere Paulo. Se este mistério existe “desde os tempos eternos”, isto mostra-nos que Deus se preocupou e preocupa com os seus filhos e filhas, desde as origens da criação. A recordação desta verdade da nossa fé dá-nos a certeza de que somos seres amados por Deus, pessoas únicas e irrepetíveis, que Deus conduz com amor ao longo da nossa história pessoal. Esta certeza enche de alegria, de esperança e de gratidão os nossos corações, sobretudo neste tempo de Natal, em que celebramos a revelação total deste “mistério encoberto”.
O evangelho relata-nos a bela página da “anunciação”. É através de mulheres e de homens concretos, atentos aos projectos de Deus e de coração disponível para o serviço fraterno, que Deus actua no mundo, manifestando-nos o seu amor. Neste domingo, que precede o Natal de Jesus, a história de Maria de Nazaré mostra-nos como é possível fazer Jesus nascer no mundo, através de um “sim” generoso e incondicional aos desígnios de Deus. Cada um de nós é um instrumento de Deus para que Jesus possa continuar a vir ao mundo e oferecer aos nossos irmãos e irmãs, sobretudo aos mais pobres e infelizes, a alegria, a salvação e a vida de Deus. Para isso, é necessário termos um coração atento aos sinais de Deus e, como Maria, respondermos o nosso “sim” concreto, disponível e generoso. Neste sentido, necessitamos de cultivar uma intimidade com o Senhor, como Maria de Nazaré, para quem Deus ocupava o primeiro lugar. Encontro, eu, tempo e disponibilidade para ouvir Deus, para viver em comunhão com Ele, para tentar perceber os seus sinais nas indicações que Ele me dá no dia-a-dia?
Leituras do IV Domingo do Advento – Ano B: 2 Sm 7, 1-5.8b-12.14a.16; Sl 89 (88); Rm 16, 25-27; Lc 1, 26-38
Deolinda Serralheiro
