A chave do Reino é a conversão

À Luz da Palavra – III Domingo do Tempo Comum – Ano B A Palavra deste domingo prossegue na linha da reflexão do domingo anterior, recordando-nos que Deus chama cada pessoa a seguir as propostas de Jesus e que a nossa resposta a esta chamada exige uma conversão pessoal, de modo a identificarmo-nos com Ele.

A primeira leitura fala-nos do chamamento do profeta Jonas. Nesta história, percebemos como o nosso Deus, cheio de entranhas de misericórdia e de bondade para com todas as pessoas, envia o profeta a pregar a conversão aos habitantes de Nínive, povo gentio, que Deus ama e quer chamar à salvação. Os ninivitas mostram-se abertos e disponíveis para escutar o chamamento de Deus e para percorrer o caminho da conversão que lhes é anunciado. Esta atitude de resposta pronta ao apelo de Deus constitui, para nós, um modelo de fidelidade a Deus, que chama. A imagem divina, que esta leitura revela, convida-nos a renunciar às nossas tendências de exclusão e a amar cada irmão e irmã com os mesmos sentimentos de bondade e de misericórdia, que existem nas entranhas do nosso Deus. É este o meu modo habitual de proceder?

O evangelho começa por nos falar do “Reino de Deus” que se aproxima. O “Reino” significa um mundo diferente, onde coexistem o amor, a verdade, a harmonia, a justiça, a reconciliação, a paz. Este é o projecto de Deus para nós, a que Jesus chama “Reino de Deus”. É este projecto que Jesus nos apresenta e ao qual nos convida a aderir. Para que o “Reino de Deus” se torne uma realidade, é necessária a “conversão” pessoal, ou transformação da nossa mentalidade e das nossas atitudes, modelando-as sobre o ser e agir de Jesus. Só assim é possível nascer essa outra realidade, o “Reino de Deus”. Na segunda parte do evangelho, Jesus, ao chamar os seus primeiros discípulos, propõe a todas as pessoas uma vida de amor total, de doação incondicional, de serviço simples e humilde, de perdão sem limites. O “discípulo” é alguém que está disposto a escutar o chamamento de Jesus, a acolher esse chamamento no seu coração e a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. Estou disposto a converter-me e a acolher o chamamento de Jesus, de modo a percorrer o caminho do “discípulo” e, assim me empenhar na manifestação do “Reino de Deus”?

A segunda leitura convida o cristão e a cristã a viver com a consciência de que “o tempo é breve”, pois as realidades e valores deste mundo são transitórias e, por isso, não podem ser absolutizados. Sabemos que a nossa vida é apenas uma peregrinação por este mundo, ao encontro da vida plena e definitiva a que Deus nos atrai. Para podermos atingir esta última meta, havemos de nos converter a Jesus Cristo e segui-lo, como discípulos, na entrega de nós mesmos ao serviço dos outros. Sinto-me convidado e impelido a marchar pela história, de olhos postos no mundo futuro, isto é, a dar prioridade aos valores eternos, a converter-me aos valores do “Reino”?

Leituras do III Domingo do Tempo Comum: Jn 3,1-5.10; Sl 25 (24); 1 Cor 7-29-31; Mc 1,14-20

Deolinda Serralheiro