À Luz da Palavra – IV Domingo do Tempo Comum – Ano B A liturgia da Palavra deste domingo fala-nos da comunicação que Deus estabeleceu com o seu povo, através dos profetas, que falam em seu nome e, por último, do Profeta, Jesus Cristo, a própria Palavra de Deus encarnada.
A primeira leitura, do livro do Deuteronómio, apresenta-nos Moisés, o pai dos profetas, que anuncia o aparecimento de outro profeta, que surgirá depois dele, numa clara referência a Jesus de Nazaré. O Deus de Israel revela-se, assim, um Deus próximo, capaz de usar a linguagem humana para se dirigir a nós, seus filhos e filhas.
O evangelho narra-nos como Jesus exerceu a sua missão profética junto do povo a quem foi enviado. Solidariza-se com a dinâmica do seu tempo. Entra na sinagoga, ao sábado e, no meio da comunidade de culto, começa a ensinar. De tal modo eram eloquentes as suas palavras que conseguiu maravilhar quantos o escutavam. Porém, Jesus afasta-se do modo de ensinar dos mestres de Israel, pois à sua palavra une a acção. Estava ali um homem perturbado, possesso de um espírito impuro, que altercava com Jesus, querendo-o afastar do meio do povo. Jesus, Mestre cheio de autoridade, manifesta o seu poder também nesta acção maravilhosa de serenar o homem perturbado e de lhe criar as condições para escutar os seus ensinamentos, expulsando esse espírito desorientador. Jesus prova-nos que tem força para falar e agir como Deus que é. Este Mestre continua hoje a sua acção no mundo e na Igreja, no meio do seu povo e nas assembleias cristãs. Reconheço o poder de Jesus, Palavra viva de Deus, e deixo-me libertar por Ele de todas as forças que se opõem aos seus ensinamentos? É Jesus o Senhor na minha vida e na minha comunidade?
Na segunda leitura, Paulo lança-nos uma provocação sobre o valor da virgindade. No seu tempo, como no nosso, este valor passou a ocupar o último lugar na escala, se é que não desapareceu mesmo no horizonte de muitos dos nossos contemporâneos. Porém, a virgindade por amor do Reino dos Céus continua a ser um sinal profético, que anuncia às pessoas que a nossa pátria definitiva está em Deus e que é possível viver desde aqui e agora o mesmo estilo de vida que todos havemos de viver nos Céus. Lá, onde não haverá marido nem mulher, mas onde todos seremos irmãos e irmãs, filhos e filhas amadas de Deus. O chamamento à castidade perfeita é um dom exímio da graça, que só é possível ser vivido, em alegria e fecundidade espiritual, pelo poder de Deus, numa profunda intimidade com Jesus e no seguimento do seu estilo de vida. A vida consagrada é uma profecia em acto, para incentivar à vivência da castidade em todos os outros estados de vida. Aprecio e estimulo os jovens ao estado de vida consagrada?
Leituras do IV Domingo do Tempo Comum: Dt 18, 15-20; Sl 95 (94); 1 Cor 7-32-35; Mc 1,21-28
Deolinda Serralheiro
