Cristãos no mundo do trabalho

Revisitar o Sínodo Diocesano A presença dos cristãos no Mundo deve sentir-se como fermento transformador das realidades temporais no sentido de as tornar serviço à pessoa humana e a todas as pessoas. O âmbito do trabalho é daqueles que maior intervenção reclama, para que se cumpra o projecto de Deus em benefício da mesma pessoa.

Depois de sublinhar o significado evangélico de toda a actividade humana, o II Sínodo Diocesano de Aveiro, interpelado pelos desafios e problemas desta complexa realidade social, propõe, entre outras coisas, alguns objectivos a alcançar.

1 – Desenvolver a compreensão humanista e cristã do trabalho e da economia.

2 – Colaborar na criação de um clima de responsabilidade em todos os sectores laborais, que vise a justiça social, a garantia de uma administração honesta e transparente, o gosto pelo trabalho, consciente e solidário, e apoiar os empresários e trabalhadores que procuram orientar a sua actividade segundo os princípios cristãos.

3 – Promover uma política do trabalho que tenha em conta a dignidade humana, respeite a ética profissional, garanta a rentabilidade dos recursos e o trabalho compatível com as capacidades de cada um, e ainda a estabilidade possível do emprego.

4 – Despertar os trabalhadores para a eventual necessidade de realizar trabalho diferente do habitual, preparando-se psicológica e tecnicamente para o efeito, de harmonia com as suas capacidades e realidade social.

5 – Fomentar a consciência social em favor das vítimas de todas as crises laborais: as pessoas com deficiências, os excluídos e inadaptados, os indefesos e os privados de qualificação profissional, as famílias proletárias, as crianças e os adolescentes, as mães empregadas, ajudando a procurar, para todos eles, soluções justas e adequadas às necessidades e possibilidades.

6 – Provocar nas comunidades cristãs uma maior sensibilidade à problemática e às implicações humanas, sociais e morais daí decorrentes.

Uma vez mais as preocupações do Sínodo são as de mudar mentalidades e atitudes, isto é, criar verdadeiro fundo cultural, em relação aos problemas laborais, pela via da educação. Só a conversão do interior humano faz desabrochar novo clima social. E é nele que se configuram as realidades em benefício da pessoa humana e de todas as pessoas.

É também notória a preocupação de motivar todos os intervenientes no processo laboral, para que o desenvolvimento de sinergias não apenas facilite, mas enriqueça, a perspectiva de resultados.

Querubim Silva