Um casal fala do Movimento Apostólico de Schoenstatt Maria de Fátima Lages Almeida, professora, e Artur Martins de Almeida, chefe de conferentes, são casados e têm três filhos. Desde 1981 integram a Liga das Famílias de Schoenstatt, movimento de que actualmente são dirigentes.
Nesta terceira entrevista a líderes de movimentos apostólicos, por meio deste casal ficamos a conhecer o Movimento Apostólico de Schoenstatt, que desenvolve as suas actividades a partir do santuário na Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré.
Correio do Vouga – Quando entraram para o Movimento Apostólico de Schoenstatt?
Em 1981, a convite de um casal amigo, João Álvaro e Maria de Lurdes.
Fátima Lopes e Artur Martins – Como começou essa ligação? Contem um pouco da vossa história…
Após o convite deste casal amigo, iniciámos a formação em grupo sobre a história e espiritualidade de Schoenstatt e o ideal cristão do matrimónio e da família, com base no ideal da Família de Nazaré. Preparámo-nos e selámos a Aliança de Amor no Santuário, no dia 1 de Maio de 1983, e assim ingressámos na grande Família de Schoenstatt. Esta Aliança de Amor com Maria, Mãe da Igreja, foi para nós uma actualização e uma concretização da nossa aliança baptismal. Renová-mos o nosso compromisso e comprometemo-nos a colaborar com Cristo e Maria na Obra da Redenção.
Qual a importância que tem para vocês fazer parte das Famílias de Schoenstatt? Que proveito para a vossa vida daí tem vindo?
Numa sociedade laica, secularizada e em mudança cultural rápida e constante, foi de uma grande importância pertencermos como casal ao Movimento. Quem entra para um grupo de Schoenstatt fá-lo porque quer crescer e está consciente de que se tem de dar, pessoalmente e no casal, um enriquecimento interior. Ingressa-se numa comunidade de formação, na qual se espera a ajuda de um ao outro, o estímulo mútuo, para que cada um e cada casal cresça no amor dia a dia. O amor é a lei fundamental da nossa vida e aprendemos a cultivá-lo no nosso dia a dia, através da paciência, da compreensão, do perdão, ajudando a corrigir, com atitudes reais e concretas, e testemunhar essas atitudes em relação aos nossos filhos. Assim como tudo o que Deus faz, o faz por amor, através do amor e para o amor, assim também nós procuramos agir na nossa família e na sociedade.
A Aliança de Amor foi um momento, mas continua a marcar o casal…
A Aliança de Amor levou-nos a aspirar à santidade como casal e a procurarmos que os nossos filhos desde pequeninos vivessem a experiência de Deus em nós. Todo o Matrimónio é uma caminhada para conduzir o outro a Deus. Cultivamos a vontade de dar as mãos e de rezar juntos e em família.
A Aliança de Amor não é estática, ela exige de nós uma nova força, uma nova fé, uma nova filialidade. Por isso procuramos cultivá-la diariamente, transmitindo esses valores aos nossos três filhos e aos que nos rodeiam.
O fazermos parte da Liga das Famílias ao longo de todos estes anos ajudou-nos muito no caminho da santidade; somos responsáveis pela santificação um do outro. E por dar testemunho vivo desse Amor.
Por isso, o nosso caminho de santidade caracteriza-se pela consciência da missão e do apostolado do ser e do actuar. Acreditamos que tendo o Movimento um carisma eclesial, quer renovar o mundo através do verdadeiro Espírito de Família, lugar onde se aprende a amar e a criar vínculos.
Ao longo destes 25 anos de Aliança matrimonial, sentimos a presença e a acção do Divino em nós. Deus quer justamente que o homem e a sociedade actual vivam renovadamente – e de acordo com os desafios do mundo moderno – essa aliança com Ele.
Como caracterizam a espiritualidade de vosso movimento? O que é específico?
Schoenstatt nasce como corrente de graças, de vida e de ideias, no dia 18 de Outubro de 1914, poucas semanas depois do início da I Guerra Mundial.
A vida que surgiu no Santuário de Schoenstatt (Alemanha), a partir da Aliança de Amor com Maria, foi configurando o Movimento e imprimindo também uma espiritualidade original, característica da Família de Schoenstatt. Trata-se de uma espiritualidade enraizada na tradição da Igreja, mas que quer ser uma forma de assumir e viver o Evangelho animada pela Aliança de Amor com Maria e de acordo com os desafios do tempo actual. A espiritua-lidade de Schoenstatt é o seu contributo à Igreja do nosso tempo, para ajudar os cristãos, em especial os leigos – a maioria do povo de Deus –, a viver adequadamente o Evangelho no meio de um mundo em rápida evolução.
O P. Kentenich, fundador, desenvolveu uma espiritualidade “tridimensional”: Espiritualidade de Aliança; Espiritualidade da vida quotidiana ou santidade da vida diária; Espiritualidade instrumental ou do instrumento.
Podem explicar melhor cada uma dessas dimensões?
A Aliança da Amor é a nossa entrada para viver a fé tal como é apresentada na Sagrada Escritura. Toda a História da Salvação é uma História de Aliança;
A Santidade da vida diária é um contributo particularmente valioso para a espiritualidade e ascese dos leigos e uma ajuda importante na conquista de uma harmonia na vinculação a Deus, aos homens e às coisas, em todas as situações da vida e no meio do mundo.
A Espiritualidade do Instrumento é o que está por detrás da nossa dimensão apostólica: estarmos ao serviço de Deus para a construção do Reino.
Neste sentido, toda a Família de Schoenstatt se considera um instrumento privilegiado nas mãos de Nossa Senhora, para colaborar com Ela na realização da missão que Deus lhe atribuiu como “Companheira e Colaboradora permanente de Cristo em toda a Obra da Redenção” e como “Mãe da Igreja”.
Além de Maria, dão um relevo especial ao santuário e ao fundador…
Sim. São três contactos vitais. A Aliança com Maria é um caminho para passarmos da piedade às atitudes marianas e, assim, à santidade da vida diária e à instrumentalidade como Maria.
O Santuário (lugar de Aliança e lugar de graças) representa a graça do acolhimento, a graça da transformação interior, a graça do envio. Todo este mundo está unido a um lugar específico que é o Santuário, local propício para irradiar o Evangelho, local de abertura eclesial e urgência de Missão. É igual em todo o mundo, porque esta vinculação local é específica do carisma de Schoenstatt e é dos poucos pontos que nos une como Movimento Internacional.
Finalmente, o Pe. Kentenich, fundador e primeiro detentor do carisma de Schoenstatt, instrumento escolhido de Deus, profeta de Maria, que conduz a estrutura do movimento, sempre guiado pela Fé Prática na Divina Providência.
Como é o ritmo normal da vida do movimento? Quantas vezes reúnem por semana, o que fazem nas reuniões?
O movimento funciona por Ramos: Grupo de Famílias, Mães e Jovens. Cada Ramo tem o seu ritmo e temáticas específicas, adaptadas a uma realidade própria, mas todas coincidem nas linhas centrais, nomeadamente: formação humana e cristã. Por exemplo, no Ramo das Famílias reunimo-nos mensalmente para tratar temáticas não só ligadas à história e espiritualidade, mas também temas relacionados com a educação, a vida matrimonial e familiar à luz do Evangelho e Maria. Interpretamos os documentos da Igreja, cartas pastorais, etc.
Para além das reuniões, temos as Jornadas da Família, um retiro anual, Escola de Dirigentes, Serões com Maria, e participamos nas actividades de apoio à pastoral do santuário e à pastoral familiar.
Têm encontros nacionais?
Pela dimensão eclesial que procuramos, estamos organizados e inseridos nas dioceses às quais pertencemos. Os assistentes têm uma coordenação nacional e procura-se então realizar algumas actividades a nível nacional. Há intercâmbio entre os diversos ramos e com diversas dioceses.
Por vezes, diz-se que em Schoenstatt há muita espiritualidade e oração, mas pouco compromisso social. Concordam?
Não concordamos. Na verdade, o Movimento Apostólico de Schoenstatt preocupa-se em formar pessoas que vivam a sua fé na vida de todos os dias, tendo como base a sua existência; que vivam a sua Aliança de Amor com Deus e com Maria em tudo o que fazem e realizam quotidianamente. Trata-se de uma espiritualidade que quer superar a dicotomia entre «cristianismo de domingo e paganismo de semana».
Distingue-se nos seus diferentes ramos e grupos pela especial vitalidade espiritual e o apostolado próspero marcado pelo seu funda-dor, que tinha um grande amor à Igreja e ardente veneração a Maria.
Esta forma de viver como cristãos já é, por si, um anúncio pelo chamado apostolado do ser. Contudo, existe também um forte compromisso eclesial que se manifesta sobretudo na participação activa e responsável nas paróquias e comunidades locais. Por exemplo, como casal estivemos durante vários anos no serviço paroquial de noivos. Eu [Maria de Fátima], neste momento, estou na coordenação da catequese. Mas, como nós, muitos leigos do Movimento estão ligados a grupos de Acção Social, à Catequese, à Pastoral Familiar, ao Banco Alimentar, ao Coro Litúrgico e Ministros Ex-traordinários da Comunhão. É desde esta perspectiva que o nosso Fundador quis que nos chamásse-mos Movimento Apostólico de Schoenstatt.
Como é que se pode aderir ao Movimento?
O Movimento é de carácter Universal, o que quer dizer que todo o baptizado pode ter acesso a esse carisma. Também aqui se revela a riqueza de Schoenstatt, porque há diversos modos e graus de pertencer ao Movimento de Schoenstatt. Há desde o peregrino ao santuário e aqueles que participam em actividades esporádicas, aos que pertencem a grupos e os que assumem compromissos mais permanentes com o Movimento.
Para pertencer ao Movimento, pode-se receber a imagem Peregrina em sua casa, formar grupos na própria paróquia, inserir-se nos grupos que reúnem no santuário, ou participar em actividades esporádicas. Para tudo isto basta entrar em contacto com os responsáveis de cada Ramo ou os Assistentes junto do Santuário. Todos têm acesso e podem dirigir-se ao Santuário e recolher informações.
Bilhete de Identidade
Nome: Movimento Apostólico de Schoenstatt
Objectivo: Contribuir para a formação do Homem Novo na Nova Comunidade. A sua finalidade é educar um tipo de homem e de comunidade que una, em todos os momentos e em todos os âmbitos, a fé e a vida. “As nossas comunidades, sejam elas o próprio Ramo, o grupo, os níveis de participação ou outros, são comunidades de Educação e de Vida e, por isso, o que mais interessa é que os seus membros cresçam e vivam de forma cada vez mais plena a sua vida humana e cristã”.
Acompanhamento espiritual: Pe José Melo, Pe Carlos Alberto e Ir. Cristina Maria Riço.
História: A origem do movimento na Diocese está relacionada com a uma peregrinação nacional ao santuário original de Schoenstatt, na Alemanha, em 1960. Desse grupo, entre outros, faz parte o Pe. Domingos Rebelo, nessa altura pároco da Gafanha da Nazaré. Nos anos seguintes procura-se aplicar a espiritualidade e a pedagogia de Schoenstatt à vida paroquial.
Em 1971, com a chegada do Pe Miguel Lencastre, também para esta paróquia, há um novo impulso fortalecido posteriormente pela chegada da comunidade das Irmãs de Maria, que culminará com a aquisição dos terrenos e posterior construção do santuário, que foi abençoado a 21 de Outubro de 1979. Entretanto, o Movimento já se tinha difundido para outras paróquias e inclusivamente para outras dioceses.
Em 21 de Setembro de 1993, o Bispo D. António Marcelino elevou-o a Santuário Diocesano de Aveiro.
A pedra angular, vinda de Ro-ma e abençoada por Sua Santidade, o Papa João Paulo II, tem encrostada na face frontal uma outra pedra trazida do túmulo de S. Pedro, sob a qual está gravada a inscrição Tabor Matris Ecclesiae, que significa Tabor da Mãe da Igreja e indica a missão deste santuário.
Contacto do Movimento:
Santuário de Schoenstatt
Rua do Santuário – Lugar Senhora dos Campos
Apartado 14
3834-908 Gafanha da Nazaré
Tel./Fax: 234 320 290
