Margarida Pinto Correia, administradora da Fundação do Gil A administradora-executiva da Fundação Gil, organização que se dedica a crianças com doenças crónicas, esteve em Aveiro para receber um donativo de um centro comercial. Ao Correio do Vouga falou do seu trabalho
“Não se pode ter reconhecimento público em vão. Se temos algum reconhecimento público – e cada vez as pessoas são conhecidas pelos motivos mais voláteis –, esse valor deve ser capitalizado para a construção de uma sociedade melhor”. As afirmações são de Margarida Pinto Correia, figura conhecida do grande público pelos programas que apresentou na TV e pelas revistas que dirigiu, actualmente administradora-executiva da Fundação do Gil.
Margarida Pinto Correia esteve sexta-feira passada no Fórum Aveiro, para receber em nome da Fundação uma verba angariada em acções de solidariedade durante o Natal (ver texto ao lado).
A Fundação do Gil tem como principais fins contribuir para o bem-estar e a integração social das crianças e dos jovens que, por variadas razões, se encontram internados, por períodos prolongados, em unidades hospitalares, prisionais ou outras.
Ao Correio do Vouga, Margarida Pinto Correia disse que, quando António Mega Ferreira, antigo presidente da Parque Expo, a convidou para trabalhar na fundação do Gil, ficou aflita. “Na altura pensei: «Se eu falho, é a vida das crianças que falha»; mas, já que estava a ser proposto, tinha de tentar. O meu lema é «se a vida te dá limões, faz limonada». Sempre na vida fiz voluntariado, mas tremi quando percebi que a minha vida podia ser fazer só isto”.
Volvidos uns anos à frente da fundação, o balanço é francamente positivo. “Mesmo quando algo corre mal, há muita aprendizagem. Não lutamos por audiências ou por aumentar as vendas, mas pelo sorriso de uma criança. E isso traz surpresas maravilhosas”.
Grande parte do trabalho da Fundação do Gil é feito em regime de voluntariado, quer de “caras conhecidas”, que têm dado elevado reconhecimento popular à Fundação, quer de anónimos, que “colam selos ou fazem costura”, até porque, “para trabalhar com crianças não basta gostar de crianças”, diz. “Uma pessoa não pode chorar ou ficar deprimida no meio de 30 crianças. E tem de ser muito forte, porque somos tão solicitados pelas crianças, que saímos de lá sugados”.
Sobre o seu próprio trabalho, Margarida Pinto Correia acrescenta ainda que consiste em “ser muito chata” junto dos poderes de Lisboa, para conseguir os objectivos da fundação. Um deles está a caminho da concretização: a Casa do Gil, um edifício antigo, recuperado para acolher 16 crianças com doenças crónicas, de forma a terem uma vida mais próxima do ambiente familiar, quando as suas famílias não as podem acolher. A inauguração está prevista para 31 de Maio.
Donativo recebido em Aveiro cria serviço de apoio a crianças com doenças crónicas
Metade dos 34.086 euros que a AM Management Portugal, detentora do Fórum Aveiro e de outros centros comerciais pelo país, entregou à Fundação do Gil vai ser destinada à criação de uma Unidade Móvel de Apoio Domiciliário (UMAD). A outra parte do dinheiro financiará as actividades correntes da Fundação. As UMAD, conforme revelou Margarida Pinto Correia, deviam existir em todos os hospitais; e destinam-se a apoiar crianças que estão em casa das suas famílias, mas que necessitam de algum cuidado especial, como a limpeza das tubagens das máquinas a que estão ligadas, a ajuda na medicamentação, ou um penso mais complicado. Sem esse serviço, as crianças têm que ficar no hospital, quando poderiam estar junto da sua família. Por vezes, o apoio domiciliário é muito precário, como no caso do Hospital D. Estefânia (Lisboa), em que é feito de táxi e nas horas extra do pessoal médico.
A primeira UMAD apoiada pela Fundação, que oferece a carrinha que funcionará como consultório ambulante, enquanto o hospital fornece o pessoal médico, estará ao serviço do Hospital Santa Maria (Lisboa), para auxiliar 30 a 40 crianças com doenças crónicas.
