Casas-abrigo na região de Aveiro estão cheias

Três instituições acolhem vítimas de violência doméstica A Violência Doméstica é “violência física, sexual, psicológica e económica, quando continuada, exercida no contexto familiar ou numa relação íntima, fazendo parte de padrões de comportamento coercivos e envolvendo o exercício de poder e domínio normalmente do homem sobre a mulher”, conorme refere um documento da Novo Rumo.

Estima-se que este crime público afecte uma em cada cinco mulheres na Europa. Um estudo da Universidade do Minho, apresentado em 19 de Fevereiro de 2005, concluiu que um quarto dos casais portugueses admite ter vivido uma situação de violência doméstica, enquanto Patrícia Correia, da Novo Rumo, refere que o distrito de Aveiro, no ano passado, “registou o maior número de ocorrências criminais” neste campo.

Sem possibilidade de confirmar esses dados, o Correio do Vouga sondou as três casas-abrigo que na região de Aveiro acolhem as vítimas deste tipo de violência. Resultado: estão todas cheias.

Por razões de segurança das vítimas, a localização das casas-abrigo não deve ser divulgada, mas é público que existem três, uma de-pendente do Centro Social e Paroquial da Vera Cruz, a VeraVida, outra à responsabilidade da Misericórdia de Aveiro e outra orientada pela congregação religiosa do Bom Pastor, o Lar do Divino Salvador. As casas não funcionam por número de pessoas, mas por agregados, visto que, normalmente, a mulher é vítima de violência com o/s seu/s filho/s menores. Assim, a casa do CSPVC, a completar um ano de funcionamento em Março de 2006, recebe oito agregados (neste momento 16 utentes), com espaços privados como o quarto e colectivos como a sala ou a lavandaria. A casa da MA, a funcionar há três anos, dispõe de 15 apartamentos e a do Divino Salvador tem a capacidade de acolher 12 agregados, até 40 pessoas.

A estas casas, as vítimas, geralmente de condição social baixa, visto que as que têm mais meios económicos conseguem uma casa própria longe do agressor, chegam por indicação dos tribunais, da polícia ou da Segurança Social.

As casas-abrigo recebem mulheres e crianças de todo o país, embora se note uma “predominância da região Norte”, como referiu ao Correio do Vouga a psicóloga Emília Lima, da Vera Vida. A Irmã Nazaré, religiosa do Bom Pastor, salientou que, sem recusar mulheres que chegam por meio dos tribunais, a sua instituição “dá prioridade ao distrito de Aveiro” e “também acolhe as mulheres que aparecem à porta”.

Cerca de metade dos casos de violência doméstica, segundo a percepção da psicóloga da VeraVida, tem origem na dependência alcoólica ou de droga do companheiro ou marido.

Em todas estas instituições há uma grande preocupação na ajuda em refazer a vida das vítimas, quer pela inserção social por meio do trabalho, quer pela integração rápida dos filhos no sistema de ensino.

Normalmente as estadias duram seis meses, mas podem atingir 2/3 anos. Pelo Lar do Divino Salvador, que funciona há oito anos, já passaram cerca de 150 mulheres.

As três instituições proporcionam um acompanhamento das vítimas após a saída da casa-abrigo. Em metade dos casos, as mulheres e os seus filhos regressam à anterior residência e à companhia do agressor, que entretanto deverá ter mudado de comportamento.

J.P.F.